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domingo, 31/08/2025

Nova técnica de fertilização com três pessoas previne doenças genéticas em bebês

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Oito crianças no Reino Unido nasceram saudáveis após um novo método de fertilização in vitro, que incorpora material genético de três indivíduos. Essa abordagem inovadora, ainda pouco difundida, foi desenvolvida para prevenir a transmissão de graves doenças hereditárias que afetam órgãos essenciais, como o coração, o cérebro e os músculos.

Conhecida como doação mitocondrial, a técnica foi aplicada em mulheres com alto risco de passar mutações perigosas do DNA mitocondrial para seus filhos.

No procedimento, os núcleos do óvulo fertilizado pela mãe e do espermatozoide do pai são transferidos para um óvulo de uma doadora anônima, que teve seu conteúdo interno removido, mas com mitocôndrias intactas e saudáveis. Assim, os embriões resultantes possuem DNA de três pessoas: pai, mãe e doadora.

Dietrich Egli, pesquisador da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, declarou: “Este é um marco histórico na prevenção de doenças mitocondriais.”

O que é fertilização in vitro (FIV)?

A fertilização in vitro é um tratamento que consiste na união do óvulo com o espermatozoide em laboratório, formando um embrião que é transferido para o útero da mulher. O processo envolve quatro fases principais: estimulação ovariana, coleta dos gametas, fertilização e cultivo dos embriões em laboratório, seguido da transferência para o útero.

Esse método pode ajudar em casos como endometriose avançada, baixa reserva ovariana, trompas bloqueadas, infertilidade sem causa aparente e abortos frequentes. Também é indicado para casais onde um dos parceiros tem baixa produção de espermatozoides, casais sorodiscordantes e casais homoafetivos de ambos os sexos.

Primeiros bebês nascidos com técnica regulamentada

O Reino Unido é pioneiro na regulamentação formal dessa prática, após anos de debates éticos e científicos. Desde 2015, uma única clínica do país, o Newcastle Fertility Centre, recebeu autorização para aplicar o procedimento.

As oito crianças, quatro meninas e quatro meninos, nascidas desse programa, estão se desenvolvendo bem. O mais velho tem mais de dois anos, e o mais novo menos de cinco meses. Uma nova gravidez também está em andamento.

Na maioria dos casos, as mitocôndrias defeituosas não foram detectadas nos bebês. Em três deles, níveis baixos dessas mitocôndrias foram encontrados, entre 5% e 16%, valores que não devem causar doenças segundo os especialistas.

Os profissionais recomendam acompanhamento contínuo da saúde dessas crianças, já que as mitocôndrias mutantes podem apresentar comportamentos variados ao longo do tempo.

Proteção para gerações futuras

Além de proteger os bebês, a técnica pode impedir que meninas portadoras de mutações mitocondriais transmitam essas alterações aos seus descendentes.

Robert McFarland, neurologista pediátrico da Universidade de Newcastle, afirmou em coletiva: “Ver o nascimento dessas crianças e saber que não carregarão doenças mitocondriais é incrível.”

Mesmo com resultados animadores, os cientistas alertam que a técnica ainda apresenta riscos. Pequenas quantidades de mitocôndrias defeituosas podem permanecer nos embriões, o que pode representar perigo se estas células se multiplicarem ou se concentrarem em órgãos específicos.

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