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quarta-feira, 25/02/2026

Nova tarifa dos EUA afeta parte das exportações brasileiras

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MARCOS HERMANSON
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

Na sexta-feira (20), o governo de Donald Trump implementou uma tarifa global de 10% que impacta cerca de 25% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, conforme estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) divulgadas na terça-feira (24).

Esses produtos somam aproximadamente US$ 9,3 bilhões (R$ 47,9 bilhões). Por outro lado, US$ 17,5 bilhões (R$ 90 bilhões), correspondendo a 46% do comércio bilateral, agora estão isentos de tarifas extras, segundo o MDIC.

O ministério ressalta que esses números não consideram possíveis sobreposições com as tarifas da Seção 232, que foram consideradas ilegais pela Suprema Corte, referentes às tarifas recíprocas.

Ainda segundo o ministério, as tarifas setoriais da Seção 232 continuam afetando cerca de 29% das exportações brasileiras, como aço e alumínio. Essa legislação autoriza o presidente americano a investigar se certas importações representam uma ameaça à segurança nacional.

O MDIC destaca que a nova tarifa única de 10% aumenta a competitividade de setores brasileiros como máquinas, equipamentos, calçados, móveis, madeira e produtos químicos.

Além disso, aeronaves agora são importadas pelos EUA sem tarifas, enquanto produtos como pescados, mel, tabaco e café solúvel tiveram suas tarifas reduzidas de 50% para 10%.

Segundo o ministério, os dados são estimativas, pois os códigos tarifários foram divulgados em nomenclatura HTS e depois consolidados, o que pode causar variações nos valores.

Também existe variação na aplicação das tarifas nos EUA, dependendo de critérios adicionais, como o uso final dos produtos, que influenciam a alíquota aplicada.

Contexto das tarifas

O presidente Donald Trump, eleito em 2024, prometeu na campanha aplicar tarifas de importação para corrigir desequilíbrios e combater o que chamou de tratamento injusto de parceiros comerciais.

Em abril de 2025, Trump anunciou tarifas básicas de 10% e adicionais de até 40%, variando conforme o tratamento dado pelos países aos EUA.

No início, o Brasil enfrentou uma tarifa de 10%, que depois foi ampliada para mais 40%, afetando cerca de 43% das exportações brasileiras para os EUA.

Na mesma época, o governo americano aplicou sanções contra autoridades brasileiras, incluindo ministros e juízes do Supremo Tribunal Federal.

O governo brasileiro criticou as tarifas e sancões, tentando negociar com os EUA. Após negociações e pressões, houve até um elogio de Trump a Lula na Assembleia-Geral da ONU.

Em novembro, Trump retirou as tarifas de muitos produtos brasileiros, como carne bovina, suco de laranja, café em pó e aviões, mas manteve taxas para máquinas, armas, madeira e pescados.

Na última sexta-feira (20), a Suprema Corte dos EUA declarou ilegais as tarifas recíprocas, liberando os produtos brasileiros que ainda eram taxados e facilitando seu acesso ao mercado americano.

No entanto, as tarifas setoriais globais, que afetam aço, alumínio, carros e autopeças, permanecem vigentes.

Donald Trump chamou a decisão da corte de “desgraça” e anunciou uma nova proposta de tarifa global de 15%, baseada em outra legislação que lhe permite aplicar taxas temporárias, mas ainda não assinou a medida.

Em entrevista, o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin (PSB), que liderou a resposta brasileira, afirmou que a nova tarifa não prejudica a competitividade dos produtos nacionais e pode até trazer benefícios ao Brasil.

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