A Unidade de Endocrinologia do Hospital Regional de Taguatinga (Uendo/HRT) está participando de uma pesquisa internacional iniciada no final de janeiro, que tem como foco detectar precocemente a neuropatia periférica diabética (NPD). A pesquisa é coordenada pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) e pela Universidade de Cornell de Doha, no Catar, com o objetivo de validar a ferramenta A New Simple sCreening Tool (ACT) para uso na saúde pública, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS).
Essa ferramenta visa facilitar o rastreamento rápido da NPD, uma complicação que pode se desenvolver silenciosamente e causar dor, feridas e até amputações nos pés e pernas. Hermelinda Cordeiro Pedrosa, endocrinologista e vice-presidente da IDF, explica que com a ACT, as equipes da APS poderão identificar facilmente pessoas com diabetes que possuam sinais da doença e encaminhá-las para avaliação com especialistas na Uendo/HRT.
A ACT é aplicada em duas etapas: primeiro, um questionário com cinco perguntas sobre sintomas como formigamento, queimação e dormência; depois, testes clínicos rápidos feitos por médicos ou enfermeiros. A participação no estudo exige apenas uma visita presencial, e os participantes recebem ajuda com os custos do transporte.
Além do Brasil, o estudo acontece também no Catar, Tailândia e Índia, com apoio da Sociedade Brasileira de Diabetes Regional (SBD-DF). A pesquisa compara a ACT com métodos já conhecidos, como o Rastreamento de Michigan (EUA) e o DN4 (França). A meta no Brasil é incluir 300 pessoas com diabetes tipo 1 ou 2, entre 18 e 70 anos, exceto aquelas com condições como hipotireoidismo descontrolado, deficiência de vitamina B12, hanseníase ou hemoglobina glicada acima de 11%.
Flaviene Romani, endocrinologista e integrante da equipe do HRT, destaca que muitos diabéticos já têm neuropatia sem saber. O rastreamento permite detectar o problema cedo, o que pode ajudar a tratar ou retardar seu avanço.
A neuropatia periférica diabética afeta os nervos das pernas e pés, levando à perda de sensibilidade e feridas. O tratamento dessas complicações gera custos para o SUS e diminui a qualidade de vida dos pacientes e suas famílias.
Wendel Araújo, participante do estudo, de 48 anos, considera o trabalho muito importante para melhorar a vida das pessoas com diabetes.
Quem tem diabetes, usa o SUS e quer participar do estudo, desde que cumpra os critérios, pode entrar em contato com a Uendo/HRT pelo e-mail endocrinologia.hrt@gmail.com.
