Mais de 55 milhões de pessoas vivem com demência em todo o mundo, e esse número está previsto para crescer nas próximas décadas, conforme estimativas globais de saúde. Com opções de tratamento ainda limitadas, pesquisadores têm focado esforços em encontrar métodos eficazes de prevenção.
Um estudo recente sugere o uso da inteligência artificial para criar uma dieta que possa reduzir o risco dessa condição.
O que é demência?
Demença é um conjunto de sintomas, como esquecimentos frequentes, repetir perguntas, perder compromissos e dificuldade em lembrar nomes.
Atualmente, o SUS oferece diagnóstico e atendimento multidisciplinar para pessoas com demência, incluindo Alzheimer, em centros de referência e unidades básicas de saúde.
O diagnóstico precoce possibilita tratamentos que podem retardar os sintomas, aliviar o impacto na família e melhorar a qualidade de vida.
Dados do Ministério da Saúde indicam que até 45% dos casos de demência podem ser prevenidos ou retardados.
Como foi desenvolvida a dieta?
Pesquisadores das universidades Fudan e Zhejiang, na China, em parceria com outros institutos internacionais, criaram a intervenção alimentar chamada Modern (Intervenção Dietética Otimizada com Aprendizado de Máquina contra o Risco de Demência).
Professor Jintai Yu, autor do estudo, declarou que a necessidade urgente de formas eficazes de prevenção motivou a pesquisa, considerando as limitações dos tratamentos atuais. O trabalho foi publicado na revista Nature Human Behavior em 2 de julho.
Para o estudo, os cientistas analisaram dados de alimentação e saúde de mais de 185 mil pessoas no Reino Unido, utilizando o UK Biobank, um dos maiores bancos biomédicos do mundo. Usaram algoritmos de aprendizado de máquina para identificar padrões alimentares que protegem o cérebro.
Professor Jia You, coautor do artigo, explicou que entre os algoritmos testados, como XGBoost e Random Forest, o LightGBM apresentou o melhor desempenho.
Com base na análise, os pesquisadores desenvolveram uma pontuação alimentar prática que incentiva o consumo moderado de alimentos benéficos para o cérebro, como folhas verdes e frutas vermelhas, e limita o consumo de itens prejudiciais, como bebidas açucaradas.
Resultados do estudo
A dieta Modern demonstrou ser mais eficaz na proteção contra a demência do que outros padrões alimentares conhecidos, como a dieta MIND, voltada para prevenção de doenças neurodegenerativas.
Sijia Chen, primeira autora do artigo, afirmou que em três grupos independentes que validaram externamente a dieta, os participantes com maior pontuação na dieta Modern tiveram 36% menos risco de desenvolver demência em comparação com aqueles com menor pontuação.
Ela destacou que análises biológicas mostraram mecanismos neuroprotetores, incluindo melhor integridade estrutural do cérebro e menor inflamação neurológica.
Os autores planejam agora realizar ensaios clínicos randomizados para confirmar os efeitos da dieta e, futuramente, incluí-la em orientações de saúde pública.
Professor Yu comentou que pretendem validar a dieta em diferentes populações e que o objetivo final é criar uma diretriz alimentar baseada em evidências para promover a saúde cerebral e prevenir doenças neurológicas.