DIEGO FELIX
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo aceitou a denúncia contra o empresário Nelson Tanure por suposto uso indevido de informações privilegiadas na compra da incorporadora Upcon pela construtora Gafisa entre 2019 e 2020.
Na acusação feita pelo Ministério Público Federal (MPF), Tanure e o empresário Gilberto Benevides são apontados por movimentações financeiras para aumentar artificialmente o valor da Upcon, buscando receber mais ações da Gafisa na negociação.
A juíza federal Maria Isabel do Prado reconheceu que há indícios suficientes para prosseguir com o processo contra Tanure.
Anteriormente, o caso foi considerado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido a possíveis conexões com o Banco Master, mas o ministro Dias Toffoli não identificou ligação direta e devolveu o processo à Justiça de São Paulo.
O MPF indicou que o Banco Master atuava como um suporte financeiro e operacional para concentrar ações na Gafisa, facilitando a manipulação dos valores e a criação de garantias para as operações de Tanure.
A defesa de Tanure declarou que agora poderão apresentar a defesa adequada ao processo aberto.
Embora o suposto crime tenha ocorrido há algum tempo, o MPF pediu urgência na análise, pois os envolvidos têm mais de 70 anos e o prazo para prescrição está pela metade.
A pena para crimes dessa natureza é de até 5 anos, e o prazo para prescrição é de 12 anos, que deve ocorrer em breve.
Relembre o caso
Na época dos fatos, Tanure era acionista importante da Gafisa e membro do conselho de administração, enquanto Gilberto Benevides controlava a Upcon e liderava as negociações.
O MPF aponta que Tanure usou empresas offshore e um fundo de investimento para ocultar sua participação e realizar transações disfarçadas com a Upcon.
Nos dias anteriores à finalização da compra, a Upcon teve um aumento repentino de R$ 150 milhões em seu capital, elevando seu valor de mercado quase 14 vezes.
Esse valor impactaria a quantidade de ações da Gafisa repassadas aos controladores da Upcon, uma compra realizada por troca de ações, sem uso de dinheiro em caixa.
Segundo as investigações, Tanure e Benevides sabiam que a avaliação da Upcon seria feita em breve, e injetaram dinheiro para inflar o valor e, assim, aumentar o número de ações recebidas.
Benevides obteve empréstimo com a corretora Planner para esse fim, mas o dinheiro seria, na verdade, de Tanure, que usou seu fundo de investimento para garantir o negócio.
No início do mês, a Polícia Federal realizou buscas contra Tanure, na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master.
Nelson Tanure é investidor em diversas empresas brasileiras, incluindo a petroleira Prio, a rede de supermercados Dia e a Gafisa. A investigação apura suspeitas de fraude, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
