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sexta-feira, 23/01/2026

Negros têm quase 50% mais chance de morrer por homicídio no Brasil, diz estudo

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Em Brasília

BRUNO LUCCA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Estudo recente da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP (Universidade de São Paulo), mostra que pessoas negras no Brasil têm quase 50% mais probabilidade de serem vítimas de homicídio em comparação com pessoas brancas, mesmo quando fatores sociais e a violência regional são semelhantes.

A pesquisa analisou 42.441 homicídios registrados em 2022 em todo o país. A maioria das vítimas era composta por homens jovens entre 20 e 59 anos, solteiros e com baixa escolaridade. Pessoas pardas e pretas representaram quase 78% das mortes violentas, enquanto pessoas brancas corresponderam a pouco mais de 21%.

Os pesquisadores dividiram os municípios brasileiros em áreas com alta e baixa incidência de homicídios, chamadas de hotspots e coldspots respectivamente. Nesses hotspots, ocorreram 43,2 assassinatos por 100 mil habitantes, taxa quase cinco vezes maior do que nos coldspots, onde a taxa foi de 8,8 por 100 mil habitantes. Em áreas de alta violência, quase 9 em cada 10 vítimas eram negras, principalmente pardas.

As regiões com maior concentração de homicídios estão principalmente no Nordeste, Norte e partes da Amazônia, enquanto o Sul e Sudeste apresentam taxas menores.

Utilizando uma técnica chamada escore de propensão, que permite comparar grupos com características semelhantes — como sexo, idade, escolaridade e estado civil — os pesquisadores confirmaram que a cor da pele está ligada a um maior risco de homicídio. No cenário mais conservador, pessoas negras têm 49% mais chance de morrer por homicídio em relação a pessoas brancas. Em outro modelo, esse risco pode chegar a ser o dobro.

Os resultados reforçam a existência de desigualdade racial na violência letal no Brasil, evidenciando a importância de políticas públicas direcionadas para as áreas mais afetadas.

O estudo destaca também a possibilidade de subnotificação de casos em certas regiões e enfatiza que análises espaciais podem ajudar na melhor distribuição de recursos e na criação de estratégias mais eficazes para diminuir os homicídios no país.

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