BRUNO LUCCA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Estudo recente da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP (Universidade de São Paulo), mostra que pessoas negras no Brasil têm quase 50% mais probabilidade de serem vítimas de homicídio em comparação com pessoas brancas, mesmo quando fatores sociais e a violência regional são semelhantes.
A pesquisa analisou 42.441 homicídios registrados em 2022 em todo o país. A maioria das vítimas era composta por homens jovens entre 20 e 59 anos, solteiros e com baixa escolaridade. Pessoas pardas e pretas representaram quase 78% das mortes violentas, enquanto pessoas brancas corresponderam a pouco mais de 21%.
Os pesquisadores dividiram os municípios brasileiros em áreas com alta e baixa incidência de homicídios, chamadas de hotspots e coldspots respectivamente. Nesses hotspots, ocorreram 43,2 assassinatos por 100 mil habitantes, taxa quase cinco vezes maior do que nos coldspots, onde a taxa foi de 8,8 por 100 mil habitantes. Em áreas de alta violência, quase 9 em cada 10 vítimas eram negras, principalmente pardas.
As regiões com maior concentração de homicídios estão principalmente no Nordeste, Norte e partes da Amazônia, enquanto o Sul e Sudeste apresentam taxas menores.
Utilizando uma técnica chamada escore de propensão, que permite comparar grupos com características semelhantes — como sexo, idade, escolaridade e estado civil — os pesquisadores confirmaram que a cor da pele está ligada a um maior risco de homicídio. No cenário mais conservador, pessoas negras têm 49% mais chance de morrer por homicídio em relação a pessoas brancas. Em outro modelo, esse risco pode chegar a ser o dobro.
Os resultados reforçam a existência de desigualdade racial na violência letal no Brasil, evidenciando a importância de políticas públicas direcionadas para as áreas mais afetadas.
O estudo destaca também a possibilidade de subnotificação de casos em certas regiões e enfatiza que análises espaciais podem ajudar na melhor distribuição de recursos e na criação de estratégias mais eficazes para diminuir os homicídios no país.
