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domingo, 30/11/2025

Negociações de paz entre Putin e Zelensky: Qual é a situação atual?

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Mais uma semana se passa em meio a impasses nas negociações para um plano de paz na Ucrânia, cuja situação permanece incerta. Enquanto Vladimir Putin impõe a retirada das tropas ucranianas das áreas reclamadas por Moscou como condição para cessar-fogo, Volodymyr Zelensky busca alinhar os interesses da Europa e dos Estados Unidos para modificar um roteiro que, segundo Kiev, tem favorecido as demandas russas.

O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou atrás no prazo que havia estipulado — um acordo no Dia de Ação de Graças —, o que enfraqueceu as esperanças de uma solução rápida. Essa decisão reforçou a percepção de que a reunião em Moscou entre seu representante Steve Witkoff e o Kremlin dificilmente trará avanços imediatos.

Mesmo após meses de pressão, a distância entre Moscou e Kiev segue vasta. Putin não aceita propostas que não garantam seu controle total sobre Donetsk, uma linha vermelha para ele. A última proposta americana ao Kremlin eliminou essa concessão territorial, reacendendo desconfianças sobre o comprometimento russo.

Planos divergentes

As negociações avançaram para uma nova etapa com a divulgação de dois planos distintos: o americano, com 28 pontos, e a contraproposta europeia.

O plano dos EUA reconhece o domínio russo sobre Crimeia, Donetsk e Luhansk, prevê o congelamento das posições em Kherson e Zaporíjia, proíbe constitucionalmente a entrada da Ucrânia na Otan e altera as regras da aliança para impedir futuras adesões.

Além disso, ele prevê eleições 100 dias após a assinatura, o uso de US$ 100 bilhões dos fundos russos congelados, com metade dos rendimentos destinada aos EUA.

Já a proposta europeia rejeita o reconhecimento das áreas como russas, propõe futuras negociações de fronteiras a partir da linha de contato, não impõe veto formal à Otan, não fixa prazos para eleições, oferece garantias multilaterais menos rígidas e não prevê compensações financeiras aos Estados Unidos.

Zelensky busca apoio

Zelensky tenta mostrar otimismo quanto a um novo rascunho negociado em Genebra, considerando-o mais viável, embora ainda incompleto. Ele se comprometeu a discutir questões delicadas diretamente com Donald Trump e intensificou diálogos com líderes europeus.

O presidente ucraniano também alertou para tentativas russas de atrapalhar o processo diplomático com desinformação e ataques ampliados.

Problemas internos e avanços russos

Investigações anticorrupção na casa de Andriy Yermak, chefe do Gabinete e principal negociador, aumentam as pressões internas.

As forças ucranianas enfrentam escassez de soldados diante do avanço russo em Zaporíjia, Pokrovsk e Kupiansk. A região de Kramatorsk, ainda sob controle ucraniano, sofre ataques contínuos de drones, tornando improvável a recuperação de territórios em curto prazo.

Do ponto de vista militar, o desafio é saber se Kiev conseguirá fazer Moscou ceder antes de reverter a guerra.

Telefonema vazado e controvérsias

A divulgação de uma ligação entre Steve Witkoff e Yuri Ushakov, assessor de Putin, causou desconforto em Washington e Kiev. O enviado de Trump teria orientado Moscou sobre sua postura diante do presidente americano, inclusive sugerindo elogios ao cessar-fogo em Gaza.

Essa ligação antecedeu um telefonema descrito como produtivo entre Trump e Putin, assim como uma reunião tensa com Zelensky, marcada pela insistência do americano em concessões territoriais.

Republicanos criticaram Witkoff, alegando influência russa, enquanto Trump minimizou a polêmica e confirmou a viagem do enviado a Moscou nos próximos dias.

Questões sensíveis permanecem

  • A reintegração da Rússia ao G8 parece improvável devido à rejeição europeia;
  • O financiamento da reconstrução ucraniana segue complexo e sem consenso;
  • Há dúvidas sobre o tamanho futuro das forças armadas ucranianas;
  • A entrada na Otan continua em debate, com EUA defendendo veto definitivo e Europa preferindo deixar aberta a decisão.

Perspectivas futuras

Na última terça-feira (25/11), o secretário de segurança ucraniano Rustem Umerov declarou que EUA e Ucrânia chegaram a um acordo sobre os termos principais. Os ajustes finais dependem agora de conversas diretas entre Zelensky e Trump, possivelmente durante visita do ucraniano aos EUA.

Negociações paralelas entre Washington e Moscou em Abu Dhabi foram descritas como produtivas, contudo ainda há muitos temas delicados a serem discutidos.

No pronunciamento de sexta-feira (28/11), o presidente ucraniano afirmou que o país está se preparando para uma nova rodada de negociações com a delegação americana, com o objetivo de avançar na construção de uma paz justa e respeitosa.

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