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Negociação sobre o Brexit fracassa e May se vê mais perto da demissão

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Nos últimos dias ficou claro que o acordo de May pode falhar novamente em uma quarta votação, marcada para o início de junho

Theresa May: temendo a permanência da primeira-ministra, os deputados conservadores pediram na quinta-feira que ela estabeleça uma data clara para sua partida (Francois Lenoir/Reuters)

As negociações entre o governo e a oposição para encontrar uma saída ao bloqueio do Brexit se romperam nesta sexta-feira (17), empurrando um pouco mais para a saída a primeira-ministra Theresa May, já pressionada por seu próprio partido.

As discussões “foram o mais longe possível”, anunciou o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, atribuindo o fracasso à “crescente fraqueza e instabilidade” do Executivo.

Iniciados no início de abril, esses contatos tinham como objetivo encontrar um acordo sobre o Brexit que pudesse obter o apoio da maioria parlamentar. Desde janeiro, a Casa rejeitou três vezes o texto assinado pela primeira-ministra em novembro com seus 27 parceiros europeus.

Segundo Corbyn, porém, nas últimas semanas, “a posição do governo se tornou cada vez mais instável, e sua autoridade foi corroída”, minando a “confiança na capacidade do Executivo de chegar a um acordo”.

“Muitas vezes, as propostas de sua equipe de negociação foram publicamente contraditas por declarações de outros membros do gabinete”, disse ele, enfatizando que tudo isso ocorria enquanto o Partido Conservador avançava no processo de seleção de um novo líder.

May prometeu aos conservadores mais eurocéticos que deixaria o cargo assim que conseguisse a aprovação do acordo negociado com Bruxelas. Ela chegou ao poder em 2016, após a renúncia de David Cameron em razão da vitória do Brexit no referendo.

Os eurocéticos consideram que a primeira-ministra fez concessões inaceitáveis à União Europeia durante os dois anos de negociações e não querem que ela continue no comando para a segunda, e mais importante, etapa do Brexit: o acordo sobre a futura relação entre ambas as partes.

Nos últimos dias, ficou claro, contudo, que o acordo de May pode falhar novamente em uma quarta votação, marcada para o início de junho na Câmara dos Comuns.

E, temendo a permanência da primeira-ministra, os deputados conservadores pediram na quinta-feira que ela estabeleça uma data clara para sua partida, independentemente do resultado da votação parlamentar.

“Com lágrimas nos olhos”

Depois dessa votação, explicou Graham Brady – responsável pela organização do grupo parlamentar conservador -, “ela e eu nos encontraremos novamente para chegar a um acordo sobre o cronograma para a eleição de um novo líder partidário”.

“E isso vai acontecer independentemente do resultado da nova votação”, ressaltou.

“Os homens de cinza disseram a uma Theresa May com lágrimas nos olhos que seu tempo acabou”, resumiu nesta sexta o jornal conservador “Daily Telegraph”.

“Na prática, isso significa que Theresa May partirá no final de julho, o mais tardar, para permitir que o partido eleja um novo líder a tempo de sua assembleia geral em setembro”, apontou o jornal, prevendo “uma luta” pelo poder que causará enormes divisões internas.

Enquanto May se reunia com Brady, o controverso ex-ministro das Relações Exteriores Boris Johnson, um fervoroso defensor do Brexit e um dos principais rivais de May dentro de sua própria formação, anunciou publicamente que seria um candidato para o cargo de primeiro-ministro.

Após o referendo de junho de 2016, em que 52% dos britânicos votaram a favor do Brexit, o Reino Unido deveria ter deixado a UE em 29 de março.

A repetida rejeição do Parlamento ao acordo de divórcio com Bruxelas levou May a pedir um adiamento “flexível” do Brexit, até 31 de outubro. O país pode deixar o bloco mais cedo se encontrar uma solução para o bloqueio.

 

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Aumento de temperatura na Europa reabre debate em relação ao aquecimento global

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Os termômetros dispararam ao redor da Europa nesta semana e os meteorologistas da região alertam que eventos climáticos severos como esse devem se tornar cada vez mais comuns. Há previsão, por exemplo, de 45 graus de temperatura na França nesta semana batendo um novo recorde para o país.

Se o desconforto causado pela temperatura senegalesa fosse o único problema, ainda vá lá. A questão, no entanto, é bem mais complexa.

Um relatório divulgado em Paris aponta que o os franceses estão muito aquém das promessas feitas para combater as mudanças climáticas. A emissão de gases poluentes no país ainda não caiu conforme o prometido, o que é um constrangimento claro para o presidente local.

Emmanuel Macron, zombando de Donald Trump, que dentro de suas ideologias de botequim não acredita no aquecimento global, disse que faria o planeta grande novamente. Macron tenta mobilizar a Europa para zerar suas emissões de carbono até 2050, mas a verdade é que ele não está cuidando nem da própria cozinha.

É verdade que a matriz energética francesa é muito menos poluidora que vários vizinhos europeus. 75% dela é dedicada a energia nuclear. Mas entre 2015 e 2018 as emissões de carbono do país caíram apenas 1,1%.

O Reino Unido, por sua vez, tem sido bastante agressivo neste tema, com investimentos pesados em energia menos poluente – mas também ainda precisa fazer mais. O prefeito de Londres tem guerra declarada contra automóveis, sobretaxa em muito a circulação de carros a diesel e pretende criar novas restrições.

Enquanto isso, na Espanha, a capital Madri discute se irá cometer um retrocesso histórico na tentativa de melhorar a qualidade do ar local. Os conservadores voltaram ao poder nas últimas eleições e prometeram acabar com a restrição de veículos no centro da cidade numa tentativa da antiga prefeita, que é de esquerda, para melhorar o ar da cidade. Já há inclusive manifestação marcada para impedir que a restrição seja retirada, o que indica como o tema virou relevante por aqui.

O debate, em Madri, lembra até o que já ocorreu em São Paulo em relação ao rodízio de veículos. Medida bastante progressista que, não podemos esquecer, começou por conta da qualidade do ar na cidade e que hoje seria praticamente impensável retirá-la do cotidiano paulistano.

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Tensão diplomática eleva o risco de guerra entre Estados Unidos e Irã

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Ao ser acusado de “retardo mental” pelo Irã, presidente Donald Trump sobe o tom e adverte que responderá a novo ataque com “força esmagadora”. Líder iraniano condena a imposição de sanções ao aiatolá e assegura não ter medo dos EUA

Moradora de Teerã caminha diante de grafite com referência à Estátua da Liberdade, em muro da Embaixada dos Estados Unidos: tensão crescente
(foto: Atta Kenre/AFP)

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, deixou a diplomacia de lado e sugeriu que o norte-americano Donald Trump sofre de “retardo mental”, ao comentar a nova rodada de sanções anunciada nesta segunda-feira (24/6) pelos Estados Unidos. “Como uma pessoa pode perder tanto a cabeça e fazer algo tão ultrajante e idiota, ao sancionar o líder de um país? Eles estão sofrendo de retardo mental. A Casa Branca é atingida por retardo mental e não sabe o que fazer”, declarou Rouhani. O magnata republicano não reagiu bem à retórica de Teerã, qualificou de “muito ignorante” e “insultuosa” a declaração e renovou as ameaças de um conflito militar. “Isso apenas mostra que eles (iranianos) não entendem a realidade. Qualquer ataque do Irã a qualquer coisa americana será respondido com força esmagadora. Em algumas áreas, esmagadora significará a obliteração”, advertiu Trump.

A linguagem belicosa não parece ter incomodado o chefe de Estado do Irã. “Nós dizemos que temos uma paciência estratégica; nossa paciência é estratégica; a paciência é diferente do medo. Não temos medo dos Estados Unidos”, retrucou Rouhani. De acordo com a agência de notícias estatal iraniana Isna, Rouhani assegurou que, caso os americanos violem o espaço aéreo e as águas territoriais do Irã, as suas forças armadas darão uma resposta decisiva. “O Irã não tem interesse em aumentar a tensão na região e nunca busca guerra com nenhum país, incluindo os Estados Unidos. Nós sempre fomos comprometidos com a paz regional e a estabilidade e faremos esforços nesse sentido”, afirmou o iraniano, durante conversa telefônica, nesta terça-feira (25/6), com o colega francês, Emmanuel Macron.

De fato, a tensão no Estreito de Ormuz se intensificou na última quinta-feira, quando o sistema de defesa antiaéreo do Irã derrubou um avião espião norte-americano avaliado em US$ 110 milhões (cerca de R$ 422 milhões).

Rouhani colocou em xeque a disposição da Casa Branca de abrir um canal diplomático direto com Teerã. “Você diz que realmente deseja conversar conosco, mas, ao mesmo tempo, está dizendo que quer boicotar e sancionar nosso ministro das Relações Exteriores. Então, está mentindo”, disse.

Em uma série de tuítes, Trump comentou que a liderança iraniana “não compreende as palavras ‘legal’ ou ‘compaixão’”. “Eles nunca tiveram (isso). Infelizmente, a coisa que eles entendem é força e poder. Os Estados Unidos são, de longe, a mais poderosa força militar no mundo, com US$ 1,5 trilhão investidos nos últimos dois anos”, escreveu. “O maravilhoso povo iraniano está sofrendo, e não há razão para isso. Sua liderança gasta todo o dinheiro no terror e pouco em quaisquer outras coisas. Os EUA não se esqueceram dos IEDs e dos EFPs (bombas) que mataram 2 mil americanos e feriram muitos .”

Direitos humanos

Por meio do Twitter, o Ministério das Relações Exteriores do Irã atacou a decisão de Trump de punir o regime teocrático islâmico. “Impor sanções ao mais alto líder espiritual, político, social e religioso de um país é um ato ridículo. O que os Estados Unidos estão fazendo é um gesto contra os direitos humanos. Não acreditamos que os Estados Unidos estejam buscando negociações genuínas com o Irã, pois negociações genuínas nunca viriam de uma pessoa como Trump. A sinceridade é algo muito raro entre autoridades norte-americanas”, afirmou a chancelaria.

Especialista em Irã pelo International Crisis Group (ICG, em Bruxelas), Naysan Rafati explicou ao Correio que a guerra de palavras entre Teerã e Washington é reflexo da tensão mais ampla entre os dois lados, a qual tem aumentado significativamente ao longo das últimas semanas. “Os Estados Unidos adotaram uma política de ‘pressão máxima’ contra o Irã. No entanto, em vez de produzir concessões iranianas, isso parece estar levando a uma tensão maior nas frentes nuclear e regional. O risco é o de que ambos continuem a intensificar a retórica, em vez de tentar encontrar maneiras de neutralizar a situação.”

Palavra de especialista

Punição à economia

“As sanções têm sido o principal elemento da estratégia dos EUA, e elas se mostram capazes de infligir danos significativos à economia iraniana. A venda de petróleo despencou. Para Washington, as sanções ao aiatolá Ali Khamenei e aos comandantes da Guarda Revolucionária têm dois tipos de impacto: enviam uma mensagem à liderança do Irã e tornam possível atingir aliados de Teerã. Sob a perspectiva iraniana, elas representam outra provocação, que faz com que  os convites dos EUA à diplomacia pareçam ocos.
Os iranianos se frustraram com o que creem ser um acordo nuclear que pede muito deles, por limitar o programa atômico. Então, começaram a reduzir a conformidade com o pacto, na esperança de que outras partes intensifiquem os esforços para fornecer alívio econômico a Teerã.”, Naysan Rafati, especialista do International Crisis Group (ICG).

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Maus-tratos a crianças na fronteira expõem política migratória de Trump

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Departamento de Saúde dos Estados Unidos anunciou que 249 crianças que se encontravam em centro de patrulha fronteiriça

Fronteira do México com os Estados Unidos: imigrantes da América Central entram no México com objetivo de chegar a solo norte-americano (Kim Kyung-Hoon/Reuters)

A visita de uma ONG a um centro da polícia fronteiriça americana no Texas onde estavam mais de 250 crianças voltou a expor o tratamento recebido pelos menores de idade que tentam entrar de forma irregular nos Estados Unidos.

Em meio à polêmica, John Sanders, chefe do Escritório de Alfândega e Proteção Fronteiriça (CBP, na sigla em inglês) e principal funcionário de controle fronteiriço dos Estados Unidos, renunciou ao cargo.

Sanders, no cargo desde abril, anunciou em uma carta divulgada pela imprensa que deixará o posto no dia 5 de julho.

A partida de Sanders ocorre após as revelações das condições de insalubridade em que viviam os menores retidos em um centro da Patrulha Fronteiriça na cidade texana de Clint, um sinal da crescente pressão sobre os recursos públicos diante do aumento das detenções na fronteira sul.

A visita de uma ONG a este centro, situado 30 km a sudeste de El Paso, mostro várias irregularidades, entre elas a superlotação do espaço pelos internos e a falta de higiene e de atendimento médico nas instalações.

Uma investigadora do Human Rights Watch (HRW), Clara Long, contou ter visto um “menino de três anos, com os cabelos emaranhados, tosse seca, calças imundas e olhos que fechavam de cansaço”.

O pequenino, que tinha cruzado a fronteira com um irmão de 11 anos e um tio de 18, estava detido há três semanas. Separado do tio maior de idade, estava aos cuidados do irmão mais velho.

O Departamento de Saúde dos Estados Unidos (HHS) anunciou na segunda-feira que 249 crianças que se encontravam no centro de Clint, perto da cidade fronteiriça de El Paso, no Texas, “deveriam estar sob custódia do HHS nesta terça-feira”, reportou a CNN.

Em um relatório publicado nesta terça, a organização Human Rights Watch (HRW) denunciou a situação deplorável dos menores de idade alojados no local. Tratam-se de crianças migrantes que viajavam sozinhas ou que foram separadas de seus familiares pelas autoridades.

As irregularidades incluem desde crianças sem atenção médica adequada até a falta de camas, que obriga muitos a dormir sobre o piso de cimento, apenas protegidos por cobertores térmicos.

Segundo informe de HRW, as crianças que aguardavam em Clint “não têm acesso a chuveiros nem a roupa limpa”. Alguns dos menores declararam que passaram semanas sem poder tomar banho. Um grupo de menores de idade que a ONG não pôde entrevistar estava de quarentena por gripe, em celas especiais.

Sarah Fabian, advogada do Departamento de Justiça, justificou na semana passada em uma audiência em San Francisco a falta de elementos de higiene como sabão e escova de dentes, alegando que não são requisito para condições de detenção “seguras e saudáveis” segundo as leis que protegem menores de idade não acompanhados.

As declarações de Fabian em defesa do governo geraram um escândalo. A jovem representante democrata Alexandria Ocasio-Cortez, por exemplo, comparou os centros de detenção com “campos de concentração” administrado por um governo “fascista”.

Cidadãos americanos que sobreviveram a cativeiros nas mãos de piratas da Somália ou de talibãs afegãos criticaram o governo, afirmando no Twitter que até seus sequestradores lhes forneceram material de higiene.

O presidente Donald Trump declarou a jornalistas estar muito preocupado com as condições nos centros e exortou o Congresso a aprovar um financiamento de emergência para enviar à fronteira sudoeste.

Poucas horas depois, a Câmara de Representantes, de maioria democrata, aprovou um texto para desbloquear 4,5 bilhões de dólares em ajuda humanitária. “Asseguramos que as crianças tenham comida, roupas, produtos de higiene, um teto e cuidados médicos”, declarou a presidente da Câmara, Nancy Pelosi.

Segundo Trump, pessoas más usam as crianças para se aproveitar das leis de imigração americanas. “É uma forma de escravidão o que estão fazendo com crianças pequenas”, disse.

A lei americana estabelece que menores sem acompanhantes não devem passar mais de 72 horas detidos pela CBP. Passado este prazo, devem ser devolvidos às suas famílias ou colocados aos cuidados de um centro de acolhida do Departamento de Saúde.

Mas a situação que se vive na fronteira superou as previsões. Só em maio, a CBP deteve 144.000 imigrantes irregulares.

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