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Saúde

Não existe quantidade segura de carne ultraprocessada, revela estudo

Rebeca Mello/Getty Images

Manter uma alimentação equilibrada traz muitos benefícios para a saúde, fortalecendo o sistema imunológico, prevenindo doenças e aumentando a energia. Contudo, especialistas recomendam evitar alimentos ultraprocessados por conterem muitos ingredientes nocivos.

O consumo excessivo de carnes ultraprocessadas está ligado a um maior risco de doenças crônicas, como obesidade, diabetes e certos tipos de câncer. Para identificar a quantidade mínima que causa danos à saúde, pesquisadores da Universidade de Washington, nos EUA, revisaram 78 estudos anteriores.

Os resultados foram preocupantes: apenas uma porção diária já eleva significativamente o risco de doenças graves, como câncer intestinal e diabetes tipo 2. A pesquisa foi publicada em junho na revista Nature Medicine.

Dentre as carnes ultraprocessadas estão presunto, salsicha, mortadela, salame, bacon e outros embutidos industrializados. Esses produtos passam por processos como cura, defumação e adição de conservantes químicos, como nitritos e nitratos, que aumentam a validade, mas podem causar inflamações, mutações das células e alterações no metabolismo.

Classificação dos alimentos

  • Grupo 1 (alimentos naturais ou minimamente processados): alimentos vindos diretamente da natureza ou com processamento mínimo, como frutas, ovos, carnes frescas, arroz, leite e feijão.
  • Grupo 2 (ingredientes culinários processados): substâncias extraídas de alimentos ou da natureza usadas para cozinhar, como sal, açúcar e óleos vegetais.
  • Grupo 3 (alimentos processados): alimentos naturais com adição de ingredientes do grupo 2, como pães simples, queijos e conservas.
  • Grupo 4 (alimentos ultraprocessados): produtos industriais com muitos ingredientes artificiais, pobres em fibras, vitaminas e minerais, porém ricos em sódio, gordura e açúcar, como refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, embutidos e macarrão instantâneo.

Riscos do consumo de ultraprocessados

Pesquisadores indicam que qualquer consumo diário de carnes ultraprocessadas apresenta riscos. Quem consome uma porção por dia (de 0,6 g a 57 g) tem pelo menos 11% mais chance de desenvolver diabetes tipo 2 comparado a quem não consome. Para câncer intestinal, o aumento do risco diário (de 0,78 g a 55 g) é de no mínimo 7%.

Mesmo sendo números aparentemente pequenos, os cientistas alertam que as estimativas são conservadoras e que o risco real provavelmente é maior.

Além das carnes, o estudo revelou que o consumo de outros ultraprocessados também afeta a saúde. A ingestão diária de bebidas adoçadas elevou em 8% o risco de diabetes e em 2% o de doenças cardíacas. Já alimentos contendo gorduras trans aumentaram em 3% o risco de doenças do coração.

“Os aumentos constantes no risco relacionados ao consumo de carnes processadas indicam que não existe quantidade segura para o consumo em relação ao diabetes ou câncer intestinal”, destacam os autores do estudo.

“Com base nesses achados, as recomendações alimentares devem alertar para os possíveis danos à saúde mesmo com pequenas quantidades de carnes processadas”, recomendam os pesquisadores.

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