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sábado, 21/03/2026




Mulheres se apoiam para crescer na carreira

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Uma pesquisa inédita realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados em parceria com a Todas Group mostrou que as mulheres são as maiores incentivadoras do crescimento profissional umas das outras. O estudo entrevistou 1.534 mulheres em cargos de liderança em todo o Brasil e revelou que 41% das participantes receberam ajuda principalmente de outras mulheres para avançar em suas carreiras.

Apenas 14% disseram ter recebido apoio principalmente de homens, enquanto 29% afirmaram que o suporte veio tanto de homens quanto de mulheres. Outras 13% relataram não ter recebido ajuda significativa, e 3% não souberam identificar o gênero das pessoas que as apoiaram.

Os resultados variam conforme a idade e o setor de atuação. Entre mulheres de 25 a 40 anos, 48% destacaram o suporte de outras mulheres. Nas áreas de marketing, publicidade e comunicação, o índice sobe para 56%, e em educação e treinamento corporativo chega a 53%. Já o apoio masculino é mais frequente nos cargos mais altos, como presidente, vice-presidente, CEO ou sócia (20%) e diretora ou líder de área (18%), além das mulheres entre 41 e 59 anos (18%).

Simone Murata, CEO da Todas Group, que ajuda empresas a fortalecer a liderança feminina, enfatiza a importância do apoio entre mulheres: “Não adianta estarmos preparadas se não tivermos uma rede forte que nos ajude a crescer.” Ela ressalta que quando uma mulher avança, todas avançam, refletindo a força da união feminina.

O estudo também analisou os sacrifícios que as mulheres fazem para progredir na carreira. Setenta e quatro por cento relataram abrir mão do cuidado pessoal, incluindo saúde física e hobbies. Cinquenta e três por cento sacrificaram tempo com a família e a saúde mental, 37% deixaram de lado o lazer, e 25% renunciaram à maternidade ou ao desejo de ter filhos.

Simone comenta: “Quando não nos colocamos como prioridade, ficamos lá embaixo. Eu não abro mão dos meus filhos, nem do meu trabalho, nem dos meus amigos.”

Dados do Ministério da Saúde indicam que os atendimentos por Síndrome de Burnout no SUS entre mulheres aumentaram 54% em 2023 em comparação com 2024, superando os casos em homens.

Os sacrifícios variam conforme a idade. Entre as mulheres de 18 a 24 anos, as maiores perdas são na vida social e lazer (50%) e nos relacionamentos afetivos (32%). Para as mulheres de 25 a 40 anos, o maior impacto está na saúde mental (58%). Já entre as de 41 a 59 anos, o tempo com a família é o principal sacrifício (60%).

Simone atribui essas diferenças à evolução do mercado de trabalho e ao aumento da presença feminina em cargos de liderança: “Há 20 anos, as mulheres precisavam se provar muito mais. Os sacrifícios feitos pelas mulheres de 50 anos são maiores do que os da geração atual.” Ela acredita que, com esse avanço, a necessidade de se provar constantemente diminuiu, e que o desenvolvimento profissional deve ser equilibrado para ser prazeroso.

Como exemplo, Denise Hamano, 43 anos, líder de tecnologia no Magazine Luiza há seis anos, criou junto com Luiza Helena Trajano uma comunidade com mais de 3 mil mulheres empreendedoras e lojistas. O grupo oferece mentoria gratuita entre as participantes. Uma pesquisa interna mostrou que a maior dificuldade dessas mulheres é a tripla jornada, conciliando casa, trabalho e família, o que muitas vezes prejudica o descanso e a formação profissional.




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