Ativistas mulheres que defendem os direitos dos animais no Distrito Federal apontam que, apesar de serem a maioria nas ações de proteção, ainda enfrentam preconceitos e recebem menos reconhecimento. Para elas, a principal motivação é dar voz aos que não podem se defender.
Mulheres envolvidas diretamente no resgate, na educação e na militância dentro do movimento entendem que é importante dividir experiências e refletir sobre os desafios e razões que as levam a atuar no ativismo pelos animais.
Compaixão
“Nós somos a maioria entre as protetoras na defesa dos animais, mas precisamos lutar mais para sermos ouvidas”, diz Mônica Torres, protetora e líder regional da ONG Fórum Animal, em Barra Mansa (RJ).
Mônica explica que o ativismo é baseado no amor que os protetores sentem pelos animais e que esse amor é o que a motiva. Em 2011, após passar por uma cirurgia na coluna que poderia ter deixado-a sem andar, ela encontrou forças para superar suas limitações através do trabalho com animais.
“Trabalhamos em um lixão onde resgatamos 55 animais abandonados. Depois da cirurgia, tive energia para levantar da cama e correr atrás disso”, afirma.
Sobre os preconceitos enfrentados pelas mulheres no movimento, Mônica comenta que algumas pessoas as consideram loucas ou desequilibradas por defenderem quem não pode se expressar, os animais.
Embora as mulheres sejam maioria no ativismo animal, ela acredita que os homens têm mais audiência e reconhecimento. “Para mim, o que importa é o bem-estar dos animais, não o medo de parecer ridícula”, declara a protetora.
Empatia
A ativista vegana Maria Beatriz Lamartine Figueiredo, conhecida como Sita Vegana, conta que seu envolvimento com a causa animal começou por um sentimento de empatia que sempre teve.
Ela relata que a decisão de mudar seus hábitos alimentares foi essencial para alinhas suas escolhas ao respeito pelos animais. “Senti que precisava parar de comer animais para viver de acordo com a empatia que sempre tive por eles”, afirma.
Sita considera a defesa dos animais parte do seu dia a dia e busca divulgar essa conscientização constantemente.
Sobre o papel das mulheres no movimento, destaca que as desigualdades de gênero na sociedade refletem também no ativismo, já que estruturas patriarcais ainda moldam a forma como as vozes femininas são vistas.
“Se você é mulher neste mundo patriarcal, acaba tendo menos visibilidade, atenção e credibilidade em qualquer área”, diz.
Ela acrescenta que homens ativistas, especialmente brancos, costumam receber mais reconhecimento do público.
Dentre suas experiências mais marcantes está o resgate de um cão paraplégico que, mesmo sem mover as patas traseiras, irradiava alegria.
Para Sita, histórias como essa mostram o valor do ativismo e inspiram a ética humana: “Os animais são uma inspiração para despertar o melhor em nós, humanos.”
Defender os animais é usar a voz pelos que não têm
A ativista Mariana Bittar, voluntária da Sociedade Vegetariana Brasileira, atribui sua dedicação à responsabilidade de falar em nome dos animais que não conseguem se expressar.
Mesmo sendo professora jovem, ela vê a luta pelos direitos dos animais ligada à ideia de justiça e representação. “O que é comum nem sempre é o certo”, reflete. “Na luta pelos animais, o mínimo que posso fazer é falar por quem não pode pedir ajuda”, afirma.
Mariana observa que há estereótipos no movimento: “Na causa animal, diz-se que a mulher é mais sensível, enquanto o homem participante é visto como frágil ou sensível demais”.
Para ela, defender os animais está conectado à busca por liberdade. A experiência de ser mulher em uma sociedade cheia de normas injustas ajuda a entender outras opressões.
“Lutamos pela liberdade do nosso corpo enquanto mulheres, mas isso vale porque somos humanas”, destaca.
Mariana ressalta sua missão como um compromisso com a justiça.
“Se tenho voz e posso lutar, é meu dever. O mínimo que posso fazer é ajudar aqueles que não conseguem e são injustiçados”, conclui.
