PATRÍCIA PASQUINI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
As mulheres brasileiras têm uma qualidade de sono pior do que os homens, segundo dados recentes do Vigitel 2025, pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde.
Esta é a primeira vez que o sono foi incluído na pesquisa que acompanha fatores de risco e proteção para doenças crônicas.
Foram feitas 833.217 entrevistas com pessoas acima de 18 anos nas capitais do Brasil e no Distrito Federal. O estudo também avalia hábitos como tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, diabetes, hipertensão, alimentação, atividade física, entre outros.
Alexandre Padilha, ministro da Saúde, alerta que poucas horas de sono e sono de má qualidade estão ligados ao aumento de peso, obesidade, problemas de hipertensão, diabetes e questões de saúde mental.
O estudo indica que 21,3% das mulheres dormem pouco, contra 18,9% dos homens, com taxas mais altas em 18 capitais, incluindo São Paulo. Sobre insônia, 36,2% das mulheres relataram sintomas, enquanto apenas 26,2% dos homens relataram o mesmo.
Nas cidades de Maceió, Salvador e Rio de Janeiro, as mulheres têm os maiores índices de noites com menos de seis horas de sono. Já Belo Horizonte, Campo Grande e Curitiba apresentam os menores índices.
As maiores ocorrências de insônia em mulheres foram encontradas em Maceió, Rio Branco e Macapá.
A médica Helena Hachul, especialista do Instituto do Sono, explica que a necessidade média de sono é de sete a oito horas por noite, embora existam variações individuais.
Ela destaca que a insônia pode se apresentar como dificuldade para adormecer, despertar frequente durante a noite ou acordar muito cedo, e é considerada um problema quando ocorre pelo menos três vezes por semana durante três meses.
O sono é importante para a saúde física e mental, passando por quatro fases: sono leve, sono profundo, sono de ondas lentas e sono REM, quando ocorrem os sonhos. Estas fases são fundamentais para recuperar o corpo e a mente.
Sem um sono adequado, podem surgir problemas emocionais, irritabilidade, falta de atenção, perda de memória e irritação com outras pessoas no curto prazo.
A longo prazo, a falta de sono adequado pode causar hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, queda da imunidade e pele prejudicada, além de aumentar o risco de infecções.
Por que o sono da mulher é diferente do homem?
Existem diferenças hormonais e sociais que começam a se manifestar na adolescência. O ciclo menstrual, TPM, e transtornos específicos como cólicas menstruais influenciam a qualidade do sono feminino.
Além disso, patologias como ovário policístico podem causar apneia do sono. Durante a gestação, o sono é afetado pelas mudanças hormonais e, no pós-parto, o cuidado com o bebê interrompe o descanso.
Na perimenopausa e climatério, a queda do estrogênio e os fogachos também prejudicam o sono. Além disso, as mulheres costumam acumular várias tarefas, o que pode gerar mais estresse e piora do sono.
Como dormir bem
Para ter um sono de qualidade é fundamental reduzir o estresse e manter uma rotina equilibrada. É importante praticar atividades físicas, alimentar-se bem, manter horários regulares para dormir, evitar bebidas estimulantes e não usar eletrônicos na cama.
Evitar exposição à luz forte e não ficar olhando o relógio durante a noite também ajuda a dormir melhor, segundo a médica Helena Hachul.
