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domingo, 31/08/2025

Mulheres alauitas enfrentam raptos na Síria

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Com o rosto marcado por cicatrizes, cabelos raspados e sem sobrancelhas, Nora aparece visivelmente abatida em uma imagem que viralizou após sua libertação de um cativeiro brutal na Síria. Ela segura seu bebê no colo, de quem estava separada à força até pouco tempo.

A jovem mãe foi mantida em um porão por quase um mês e sofreu abusos físicos e psicológicos durante esse período. Quando viajava com seu filho de onze meses próximo à cidade costeira de Jabala, a caminho de um centro de ajuda humanitária, foi interceptada por homens mascarados em um veículo com placas de Idlib.

Questionada sobre sua origem, ao revelar que é alauita, Nora foi violentamente forçada a entrar no carro e teve seus olhos vendados durante o sequestro. Ela relata ter sido xingada e espancada a ponto de perder a consciência várias vezes. Ainda no cativeiro, seu bebê foi retirado e foi exigida a assinatura de um contrato de casamento, o que ela recusou, agravando a brutalidade contra si.

Fotos dos abusos foram enviadas para pressionar sua família. Após o pagamento de um resgate elevado, Nora foi libertada e agora reside no exterior, recebendo tratamento médico para problemas ginecológicos graves.

Os sequestros contra mulheres alauitas não são casos isolados, com mais de 40 desaparecimentos registrados no ano, segundo o ativista de direitos humanos Bassel Younus. A comunidade alauita, minoria religiosa a qual pertence o ex-ditador Bashar al-Assad, tem sido alvo de ataques violentos desde a queda do regime, sofrendo perseguições de grupos radicais sunitas que os consideram apóstatas.

As mulheres alauitas têm sido usadas como símbolos da opressão contra toda a comunidade, enfrentando humilhações verbais e agressões físicas. A Comissão Independente de Inquérito da ONU sobre a Síria confirmou casos de sequestro e prepara um relatório detalhando as violações cometidas.

Em um dos relatos, Sami conta o desaparecimento de sua irmã Iman, que após desaparecer, teve sua família contatada pelos sequestradores exigindo um resgate elevado, pago via sistema hawala para destinatários refugiados na Turquia. Após a transferência, não houve retorno ou notícias de Iman.

Maya e sua irmã menor, também da região de Tartus, foram sequestradas por homens armados que as questionaram sobre sua filiação religiosa antes de mantê-las em cativeiro. Elas foram humilhadas e acusadas de serem responsáveis por mortes relacionadas ao conflito, com ameaças de venda para outros grupos.

Embora não haja evidências de escravidão sistemática similar ao que sofreram as mulheres yazidis pelo Estado Islâmico, a população alauita atualmente enfrenta sequestros e assassinatos baseados em sua religião, sendo responsabilizada coletivamente pelos atos do regime deposto, conforme análise do ativista Bassam Alahmad.

Maya e sua irmã foram eventualmente libertadas e entregues à família, mas muitas outras mulheres seguem desaparecidas.

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