A jovem Ana Clara Silva dos Santos, 22 anos, conhecida como “Sereia do Sexo”, foi inocentada por um júri popular em Samambaia no dia 15 de maio. Ela era acusada de ter atraído um cafetão para uma emboscada que terminou com a morte do homem, Glaudêncio Santos, 41 anos, responsável por organizar programas sexuais na região.
Ana Clara trabalhava como prostituta e o júri concluiu que ela não teve envolvimento direto no assassinato. O parceiro dela na época, Antônio Pereira, 65 anos, foi condenado a 40 anos de prisão pelo homicídio e ocultação do corpo de Glaudêncio.
Após a absolvição, Ana Clara mudou-se para fora de Brasília e atualmente trabalha como concierge em uma clínica de ortopedia. Em entrevista exclusiva, ela revelou ter sido explorada sexualmente pelo Antônio desde os 14 anos. Para ajudar a família e custear a faculdade, começou a fazer programas.
Ana Clara contou que Glaudêncio era o seu cafetão, que a forçava a fazer muitos programas por dia, negligenciando até mesmo sua alimentação.
Em áudio divulgado, ela desabafou: “Eu sempre estive em estado de sobrevivência, mas nunca imaginei ser presa. Nunca imaginei passar por tudo que passei antes de ser presa”.
“Pela primeira vez na minha vida fui ouvida e fui absolvida. Entenderam a minha história”, declarou Ana Clara. Ela também lamentou o fato da história voltar a público, destacando o sentimento dos familiares da vítima.
Relembre o caso
Ana Clara foi presa durante a Operação Canto da Sereia, realizada pela 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte) em fevereiro de 2024. Segundo investigações, ela escondia do Antônio Pereira que fazia programas com auxílio de Glaudêncio Santos. Após descobrir a profissão dela, Antônio teria ordenado que a mulher atraísse o cafetão para uma emboscada que resultou em sua morte cruel.
O corpo de Glaudêncio foi encontrado em um lixão no Parque Gatumê, Samambaia. Ele havia sido torturado e queimado ainda vivo em um local conhecido como “micro-ondas”.
Antônio Pereira foi preso em março e, durante a prisão, tentou tirar a própria vida, mas foi socorrido pela polícia. Ele permanece preso cumprindo a pena de 40 anos.
Declaração da advogada
A defesa destaca que Ana Clara sempre colaborou com o processo judicial e que as provas apresentadas não demonstram qualquer envolvimento dela no crime. A condenação do verdadeiro autor reflete a justiça do caso e prova a inocência da cliente, que busca reconstruir sua vida longe dos acontecimentos dolorosos do passado.