PAULO SALDAÑA
FOLHAPRESS
O Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas iniciou uma investigação sobre o uso incorreto de verbas da educação em duas prefeituras alagoanas, Campo Grande e Olho D’Água Grande, administradas pela mesma família. Os recursos foram usados para comprar agrotóxicos, peças de tratores e para a reforma de uma arena de vaquejada.
A denúncia veio após análise de documentos financeiros e visita às cidades, e o MPF instaurou formalmente o procedimento em 3 de junho. Os desvios somam cerca de R$ 6 milhões e incluem gastos com manutenção de carros particulares, transportes escolares precários, escolas em péssimas condições e salários de professores muito baixos.
O Fundeb, fundo que financia a educação básica no Brasil, é formado por impostos estaduais, municipais e complementação federal, e seu uso indevido acarreta atuação do MPF, já que envolve verba da União.
A família do político Arnaldo Higino controla ambas as cidades, com o sobrinho Teo Higino como prefeito de Campo Grande e a esposa de Arnaldo, Suzy Higino, governando Olho D’Água Grande.
Apesar de tentativas de contato, os investigados não responderam às solicitações da imprensa. O pai de Arnaldo, Evânio Higino, dá nome a uma arena de vaquejada que recebeu reforma paga com recursos do Fundeb, enquanto a escola que leva seu nome está fechada há anos por falta de condições.
Além disso, outros membros da família ocupam cargos na administração, como a secretária de Educação de Campo Grande, Greicy Higino, e a vice-prefeita de Olho D’Água Grande, Mara Higino.
Arnaldo Higino tem histórico de investigações e condenações por corrupção e desvio de verbas públicas, inclusive relacionadas à educação e saúde. Ele chegou a ser preso em flagrante por propina e teve sua candidatura cassada por improbidade administrativa.
Os casos revelam uma rede de influência familiar que utiliza recursos públicos da educação com fins pessoais e não para benefício da comunidade escolar.
