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quarta-feira, 28/01/2026

MPF abre investigação sobre tiros do Exército na fronteira e morte de indígena

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O Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas iniciou uma investigação para apurar um tiroteio envolvendo militares do Exército na fronteira com a Colômbia. Durante o confronto, foram disparadas 52 balas de fuzil e duas de revólver, conforme relatos de testemunhas, e um indígena da etnia hupda foi morto, enquanto outro ficou ferido.

O incidente aconteceu na noite do dia 8, próximo ao rio Papuri, na Terra Indígena Alto Rio Negro, região do Amazonas. A cidade mais próxima é São Gabriel da Cachoeira, conhecida como Cabeça do Cachorro.

No dia seguinte ao tiroteio, um indígena hupda foi encontrado ferido por bala à margem do rio. No dia 10, o corpo do indígena Sandro Barreto Andrade, de 19 anos, foi localizado por comunidades vizinhas. Reuniões entre testemunhas e lideranças indígenas indicaram que os disparos feitos por militares do 1º Pelotão Especial de Fronteira estão ligados à morte e ao ferimento dos indígenas, que estavam pescando na área.

A abertura oficial do inquérito civil público aconteceu em 26 de janeiro e foi divulgada no Diário Oficial do MPF em 28 de janeiro. A ação atende a pedidos de organizações indígenas da região.

O Exército informou que os tiros ocorreram durante uma suposta troca de fogo com narcotraficantes em quatro barcos que navegavam da Colômbia para o Brasil. Os projéteis recolhidos foram entregues às autoridades responsáveis pela investigação.

Os hupdas são um povo de contato recente, vivem em áreas isoladas próximas à fronteira e têm presença também no lado colombiano. Eles enfrentam marginalização e buscam maior protagonismo dentro do movimento indígena.

Segundo relatos, quatro indígenas hupdas pescavam em pares em dois pontos diferentes do rio Papuri. Os dois que estavam na foz do rio foram atingidos por tiros supostamente vindos do lado brasileiro, enquanto os outros dois conseguiram fugir.

O Exército nega envolvimento na morte e no ferimento dos indígenas, alegando que a ação foi uma resposta legítima para se defender de um ataque das embarcações suspeitas. O Comando Militar da Amazônia classificou o ocorrido como “legítima defesa a injusta agressão”.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Ministério da Saúde, que prestou atendimento ao indígena ferido, não confirmaram ligação direta entre as vítimas e o tiroteio. O Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Negro comunicou os órgãos competentes após o episódio.

O indígena ferido foi estabilizado e transferido para tratamento em Manaus, permanecendo em estado estável e com boas condições clínicas.

Relatos de uma equipe que visitou o local indicam que havia marcas de balas em árvores e pedras. Indígenas expressaram preocupação com a demora do Exército em resgatar o corpo e as condições do traslado até a comunidade Vila Fátima.

Segundo uma reunião com as lideranças indígenas e militares, o Exército recebeu denúncias sobre tráfico de drogas em barcos no rio Papuri. A operação militar e o confronto ocorreram por volta das 22h30 do dia 8, durante um patrulhamento de rotina. Após o tiroteio, os suspeitos fugiram, e os militares retornaram às suas bases, conforme nota oficial do Comando Militar da Amazônia.

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