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quinta-feira, 26/02/2026

MPDFT acusa líderes da G44 Brasil de golpe bilionário

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A Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou seis membros da organização criminosa G44 Brasil por estelionato e lavagem de dinheiro. O grupo, atuando desde um escritório em Taguatinga, prometia rendimentos mensais de 10% a 11,5%, enganando milhares de investidores em vários estados e causando prejuízos superiores a R$ 1 bilhão.

O esquema, iniciado em 2017 e mantido por pelo menos quatro anos, funcionava como uma pirâmide financeira: os valores trazidos por novos investidores eram usados para pagar os anteriores, sem qualquer atividade real em criptomoedas ou extração de esmeraldas e ouro. Os investidores assinavam contratos como sócios da G44 Brasil e, para mostrar credibilidade, o grupo promovia visitas a uma suposta mina em Campos Verdes (GO). Os pagamentos eram feitos via Zen Card, que movimentou mais de R$ 154 milhões para ocultar o dinheiro.

Em novembro de 2019, os pagamentos pararam e os investidores tiveram dificuldades para retirar o dinheiro. Os acusados alegavam riscos contratuais para não devolver os recursos. A denúncia apresentada pelo promotor Paulo Roberto Binicheski destaca que o grupo fazia recrutamento fraudulento sem entregar serviços reais.

A organização tinha uma estrutura hierárquica comandada por Saleem Ahmed Zaheer e Joselita de Brito Escobar, com setores para captação, operações e ocultação de valores. Utilizavam empresas como G44 Brasil S.A. e G44 Mineração Ltda., além do sistema Goldário para operacionalizar o golpe. A CVM já havia multado e proibido a G44 em 2018 por atuar sem autorização, mas o grupo mudou seu objeto social para continuar.

Investigações feitas em 2019 foram encaminhadas à Justiça Federal, que condenou Zaheer a 14 anos, Escobar a 8 anos e Olinto Ernandes Silva Magalhães a 3 anos por crimes financeiros e lavagem de dinheiro. Em 2024, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a Justiça Estadual deveria julgar o caso, permitindo ao MPDFT apresentar a denúncia por organização criminosa e lavagem de ativos.

O MPDFT pede a condenação dos envolvidos, o confisco de bens apreendidos — incluindo carros de luxo, relógios e um imóvel em Goiânia avaliado em R$ 2,6 milhões — e uma indenização mínima de R$ 1 bilhão às vítimas. Cerca de R$ 600 milhões foram captados, parte usada para comprar bens de alto valor.

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