LEONARDO VIECELI E NICOLA PAMPLONA
FOLHAPRESS
O Ministério Público de pelo menos seis estados está investigando a aplicação de recursos de fundos de previdência estaduais e municipais em títulos emitidos pelo Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.
As investigações acontecem em Alagoas, Amapá, Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo. O Banco Central liquidou o Master em novembro após suspeitas de fraudes nas operações da instituição.
Dados do Ministério da Previdência Social indicam que institutos de aposentadoria de servidores públicos estaduais e municipais aplicaram R$ 1,8 bilhão em letras financeiras do banco sem garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) entre outubro de 2023 e dezembro de 2024.
Rio de Janeiro
O caso mais destacado é do estado do Rio de Janeiro, cujo fundo de previdência dos servidores, o Rioprevidência, investiu cerca de R$ 970 milhões nos títulos do Master, sendo o maior investimento registrado.
Em 23 de junho, a Polícia Federal realizou buscas em locais ligados a executivos do Rioprevidência. Logo após essa operação, Deivis Marcon Antunes foi exonerado do cargo de diretor-presidente da autarquia, negando irregularidades em carta enviada ao governador Cláudio Castro (PL).
Após a liquidação do banco Master, o Ministério Público do Rio de Janeiro abriu investigação, recomendou a exoneração de responsáveis e acionou a Justiça para suspender repasses ao banco referentes a empréstimos consignados de aposentados e pensionistas.
O Ministério Público ressalta que os investimentos em volume elevado expuseram o fundo a riscos incompatíveis com as normas de segurança para tais aplicações.
O Rioprevidência afirmou que todas as operações respeitaram a legislação e estão protegidas pela decisão judicial que suspendeu os repasses ao banco.
São Paulo
O Ministério Público de São Paulo também está apurando casos relativos ao banco Master. Dois fundos municipais são investigados: o São Roque Prev, que aplicou R$ 93 milhões, e o Araprev, de Araras, com R$ 29 milhões investidos.
A Prefeitura de Araras e o Araprev informaram que abriram sindicância para analisar as operações e estão tomando medidas para proteger os interesses dos servidores públicos aposentados e pensionistas.
O São Roque Prev monitora a liquidação extrajudicial do banco e afirma que adquiriu os títulos seguindo procedimentos legais, com análises técnicas e aprovação de comitês responsáveis.
Amapá
No Amapá, a Amprev aplicou R$ 400 milhões em letras financeiras do banco. O Ministério Público local informou que há uma investigação que verifica se essas aplicações estão de acordo com a política de investimentos do fundo.
O governo estadual destaca a solidez financeira da Amprev, que garante o pagamento das aposentadorias e pensões para cerca de 6.000 beneficiários até 2059.
O investimento no Banco Master representa apenas 4,7% do patrimônio total da Amprev e não compromete a sustentabilidade do regime previdenciário.
O fundo obteve autorização judicial para reter valores de empréstimos consignados que seriam repassados ao banco.
Amazonas
O Ministério Público do Amazonas investiga possíveis irregularidades nos investimentos do Amazonprev, que aplicou cerca de R$ 50 milhões em títulos do banco Master.
O valor representa menos de 0,5% do total investido pelo fundo, que obteve lucro de R$ 1,1 bilhão no período de janeiro a outubro de 2025.
Segundo a gestão estadual, o fundo possui recursos suficientes para pagar todos os benefícios futuros e atuais dos servidores.
Alagoas
Na capital Maceió, o Ministério Público instaurou procedimento preparatório e solicitou informações à prefeitura, que respondeu e está tendo os dados analisados pelo MP.
O Maceió Previdência considera a investigação uma oportunidade para comprovar a regularidade das aplicações no banco Master e afirma que todos os procedimentos legais foram seguidos.
A autarquia assegura que os pagamentos a aposentados e pensionistas estão garantidos, sem necessidade de aumento das contribuições.
O patrimônio atual do Maceió Previdência é de R$ 1,5 bilhão.
Goiás
O Ministério Público de Goiás confirmou investigação em Aparecida de Goiânia, onde o fundo do município investiu R$ 40 milhões no banco Master.
Em dezembro, representantes do AparecidaPrev prestaram esclarecimentos na Câmara Municipal; a prefeitura e o fundo não retornaram a contatos para comentários.
