Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, declarou que não pretende levar à pauta projetos que questionem a autonomia do Banco Central. Ele destacou que a autonomia da instituição foi uma conquista importante liderada pelos deputados e que trouxe segurança, previsibilidade e confiança para as instituições brasileiras.
Em um evento organizado pelo BTG Pactual sobre as perspectivas para o Parlamento em 2026, Motta reafirmou que enquanto estiver na presidência da Câmara, não serão discutidas alterações nesta autonomia, apesar das críticas apresentadas pelo líder do PT, Pedro Uczai, que sugeriu reconsiderá-la devido a casos como o do Banco Master e as altas taxas de juros.
Sobre a proposta de criação de uma CPI para investigar o Banco Master, Motta afirmou que irá analisar os pedidos conforme o regimento, sem condenações antecipadas, garantindo que qualquer irregularidade será discutida de acordo com a legislação vigente.
Quanto à questão dos impostos, ele ressaltou que o Congresso tem atuado conforme necessário para responder às ações do Executivo e frisou que o Legislativo não tem espaço para discutir aumento de tributos, considerando que essa agenda já foi amplamente cumprida.
No que diz respeito ao plano de carreira, Motta explicou que a Câmara planeja um reajuste salarial de 8% para seus servidores, similar ao de outros projetos, incluindo os do Executivo. Apenas um pequeno grupo de servidores em cargos de alta responsabilidade poderá receber salários acima do teto, conforme previsto na reforma administrativa em análise, respeitando as exceções já adotadas em outras instituições como o Senado e o TCU.
Ele destacou que o reajuste está contemplado no orçamento da Câmara, que no ano anterior devolveu R$ 760 milhões aos cofres públicos e espera devolver valor semelhante mesmo com o aumento.
Motta também esclareceu que o projeto da Câmara está em consonância com a decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que ordenou a revisão de benefícios pagos sem previsão legal. Para o presidente, esse alinhamento reforça a necessidade da reforma administrativa, atendendo aos anseios da população por eficiência e transparência no serviço público.

