Bruno Spada / Câmara dos Deputados
Foi realizado na Câmara um debate sobre trabalho digital promovido pelo Cedes, onde representantes dos motoristas de aplicativos destacaram que a categoria enfrenta dois grandes desafios para continuar atuando: o aumento dos ganhos financeiros e a melhoria das condições de segurança.
Denis Moura, diretor da Federação Brasileira de Motoristas de Aplicativos, explicou que os algoritmos utilizados pelas plataformas exigem uma produtividade muito alta para que os motoristas possam obter rendimentos significativos.
“Para beneficiar muitas pessoas, é necessário usar algoritmos. Nossa luta é para tornar essa relação mais humana. Ela gera renda para os motoristas, mas muitos se iludem com isso”, comentou Denis.
Moura solicitou ao governo a criação de um cadastro nacional dos motoristas para reunir mais informações sobre essa forma de trabalho. A Câmara está analisando o projeto PLP 152/25, que visa regulamentar essa atividade.
Riscos enfrentados
Denis sugeriu que os aplicativos adotem restrições para evitar que motoristas aceitem corridas em áreas de alto risco, assim como isentá-los de punições quando cancelarem essas viagens perigosas.
André Porto, diretor da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia, destacou que a sociedade pode considerar essa ação discriminatória. “Muitas vezes dizemos que não se deve entrar em certas comunidades por ser perigoso, mas é importante entender o que fundamenta essa percepção e como evitar discriminações contra essas áreas”, afirmou.
André informou que existem 2,2 milhões de motoristas e entregadores de apps no Brasil, sendo que 35% das viagens começam e terminam em comunidades.
O deputado Helio Lopes (PL-RJ) sugeriu que haja maior diálogo entre empresas e motoristas para enfrentar essas questões.
Contexto socioeconômico
Atualmente, 59 milhões de brasileiros vivem em situação de pobreza, com uma renda média mensal de cerca de R$ 694. Desses, 9,5 milhões estão em extrema pobreza, recebendo em torno de R$ 218 por mês.

