Mortes em protestos no Irã chegam a 192, diz ONG
Ao menos 192 manifestantes perderam a vida desde o início dos maiores protestos registrados no Irã em quase uma década, segundo dados divulgados recentemente pela ONG Iran Human Rights, que monitora violações dos direitos humanos no país.
Com sede em Oslo, a entidade confirmou as mortes com base em fontes diretas no Irã, além da verificação feita junto a veículos independentes. A repressão das forças de segurança tem aumentado nos últimos dias, acompanhando a intensidade e expansão das manifestações por todo o território iraniano.
O cenário se complica ainda mais devido a um bloqueio quase total da internet, imposto pelo governo teocrático há cerca de 48 horas, segundo a ONG de cibersegurança Netblocks. Essa restrição dificulta a confirmação independente das informações e levanta suspeitas de que o número real de mortos possa ser maior.
Manifestantes e repressão
Apesar das barreiras digitais, os protestos continuam a crescer. A ONG iraniana Hrana reportou manifestações em pelo menos 574 locais distribuídos por 185 cidades nas 31 províncias do país. A quantidade de detidos já alcança aproximadamente 2,3 mil pessoas.
As mortes recentes ocorrem em meio a relatos de violência policial contra manifestantes. O chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, afirmou recentemente que o nível de confrontos com os manifestantes aumentou.
Contexto da crise
Os protestos tiveram início em 28 de dezembro e foram motivados pela grave crise econômica no Irã, que inclui a desvalorização do rial, inflação alta e o agravamento das condições de vida da população.
Inicialmente com foco em questões econômicas, os protestos passaram a incorporar críticas diretas ao regime dos aiatolás e ao líder supremo, Ali Khamenei. Os manifestantes exigem reformas políticas, mudanças no sistema judiciário e maior liberdade civil.
O governo iraniano acusa os Estados Unidos e Israel de estimularem as manifestações, enquanto os opositores defendem que o movimento reflete o descontentamento popular com a gestão política e econômica atual.
Reações internacionais
No último sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que os EUA estão prontos para apoiar os manifestantes que lutam por liberdade, sem detalhar a forma desse apoio.
Ao mesmo tempo, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que o Irã responderá fortemente a qualquer intervenção militar estrangeira no país, dizendo que qualquer ataque americano será considerado um alvo legítimo.
