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Mundo

Mortes em Gaza são 65% maiores do que números oficiais revela estudo

Mustafa Hassona/Anadolu via Getty Images

Com o acesso de jornalistas à Faixa de Gaza severamente limitado pelas autoridades israelenses, as informações sobre o total de vítimas da guerra têm como base principal os dados do Ministério da Saúde local, sob controle do Hamas. Israel, porém, sempre contestou esses números, afirmando que eles são superestimados. Um estudo independente, contudo, indica que o número verdadeiro de mortos pode ser ainda maior do que o divulgado oficialmente.

O economista Michael Spagat, do Royal Holloway College da Universidade de Londres, realizou uma pesquisa que estimou que mais de 80 mil palestinos perderam suas vidas na guerra em Gaza até o início de janeiro de 2025, o que representa um aumento de 65% em relação aos dados oficiais divulgados pelo Ministério da Saúde local.

Michael Spagat é especialista em guerras modernas e na quantificação de vítimas em conflitos, ressaltando a importância de manter um registro para que cada vítima seja lembrada. Ele considera as listas oficiais “amplamente precisas”, apesar do ministério ser controlado pelo Hamas, que é classificado como organização terrorista por diversas entidades internacionais.

Este estudo se diferencia por reunir dados diretamente de moradores de Gaza, consultando cerca de duas mil famílias, uma amostra representativa da população antes do conflito iniciado em 7 de outubro de 2023. Os pesquisadores contaram com o apoio do Centro Palestino para Políticas e Pesquisas de Opinião (PCPSR), sediado em Ramallah, e com uma equipe presente na Faixa de Gaza.

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De acordo com a pesquisa, entre 7 de outubro de 2023 e 5 de janeiro de 2025, houve aproximadamente 75.200 mortes diretas relacionadas à guerra, em contraste com os 45.650 mortos listados oficialmente. Isso indica que o total real de vítimas fatais imediatas é 65% superior ao registrado nos dados oficiais.

Além disso, as mortes indiretas, aquelas resultantes de desnutrição ou doenças agravadas pelas condições da guerra, foram estimadas em aproximadamente 8.540 casos. Esse número é menor do que projeções anteriores, provavelmente devido à população jovem e relativamente saudável de Gaza antes do conflito e aos cuidados proporcionados por assistências humanitárias.

O estudo destaca que mais de 30% das mortes diretas foram de crianças e adolescentes menores de 18 anos. Cerca de 22% das vítimas são mulheres, e 4% idosos com mais de 65 anos. A maior parte dos mortos são homens entre 15 e 49 anos, idade na qual a maioria dos combatentes costuma estar.

Michael Spagat comenta que essa distribuição é habitual em guerras, pois os jovens são os mais vulneráveis em conflitos armados. O estudo, entretanto, não diferencia entre combatentes e civis, pois as perguntas sobre envolvimento com o Hamas poderiam colocar em risco a segurança das equipes de pesquisa.

Extrapolando esses dados até os dias atuais, o número total de mortos na Faixa de Gaza pode aproximar-se de 100 mil, um número imenso e difícil de dimensionar, que representa milhares de histórias de perda e sofrimento. Entre as vítimas estão famílias como a de Hamdi al-Najjar, médico que morreu após um ataque aéreo em Khan Yunis que matou nove de seus filhos.

Este estudo reforça a gravidade da situação humanitária em Gaza e a necessidade de atenção internacional para as consequências da guerra.

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