BÁRBARA SÁ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Um homem que mora em Heliópolis, na zona sul de São Paulo, tem enfrentado problemas constantes por causa de uma confusão com seu nome. Ele foi levado para a delegacia quatro vezes em apenas sete meses após ser apontado pelas câmeras do sistema Smart Sampa como suspeito de um crime, mesmo com diferenças claras em idade, nomes dos pais e até no sobrenome em comparação ao verdadeiro criminoso.
Ailton Alves de Sousa, 41 anos, coordenador de departamento pessoal, nunca esteve no Centro-Oeste, mas começou a ser identificado pelo sistema como um suposto autor de homicídio em Mato Grosso. O Tribunal de Justiça daquele estado abriu uma investigação para entender a origem do erro e já tomou providências para corrigir os dados em seus registros.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o nome do suspeito não está mais no Banco Nacional de Mandados de Prisão, e as fotos e dados pessoais foram retirados do banco de dados estadual. A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Segurança Urbana, explicou que o Smart Sampa não falhou no seu funcionamento, destacando que o sistema usa dados oficiais para reconhecimento facial e confirmação de mandados.
O advogado de defesa, Sandro Godoy, ressalta que seu cliente é vítima de um engano causado pela semelhança no nome. Enquanto o verdadeiro criminoso tem o sobrenome Souza com ‘z’, Ailton tem Sousa com ‘s’. A confusão tem causado muitas situações constrangedoras, com abordagens policiais frequentes, mesmo com documentos e dados diferenciados.
Ailton passou a registrar em fotos e vídeos os momentos em que é parado pela polícia para se proteger. Segundo o advogado, existem três mandados contra o verdadeiro foragido, e apesar das correções feitas em alguns, um mandado continua ativo e associado erroneamente a Ailton.
O problema piorou quando foram inseridos dados biométricos de Ailton no sistema do Smart Sampa, que cruza imagens capturadas por câmeras com bancos de dados policiais. Isso faz com que toda vez que ele passa por uma câmera, seja identificado como suspeito e abordado.
As primeiras confusões começaram em 2020, e mesmo com o reconhecimento do erro na época, as abordagens continuaram nos últimos meses, incluindo momentos no trabalho, em eventos de lazer e situações familiares delicadas, como quando acompanhava a mãe em um posto de saúde.
A defesa destaca ainda as diferenças de nascimento, filiação e ausência de imagem do verdadeiro suspeito nos mandados. Apesar disso, Ailton continua sofrendo com as consequências da confusão.
Sandro Godoy tentou contato com o Smart Sampa para ajustar os dados, mas foi informado de que o sistema apenas recebe dados de outras fontes e não pode fazer alterações diretamente. Ele enfatiza a urgência de corrigir esse erro para evitar novas abordagens e garantir a segurança e tranquilidade do seu cliente.

