JÚLIA MOURA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A agência de classificação de risco Moody’s diminuiu a nota de crédito do BRB (Banco de Brasília) nesta quarta-feira (1º). A nota caiu de BBB- para CCC+, indicando uma elevação do risco de inadimplência de médio para alto.
De acordo com a Moody’s, a avaliação atual mostra que a qualidade de crédito do BRB está muito baixa comparada a outras instituições nacionais e pode estar próxima de um calote, caso não haja uma entrada de capital.
A agência aponta que essa piora é causada pela provável necessidade de aporte financeiro, agravada pela falta de um plano para recuperar as perdas relacionadas a ativos adquiridos do Banco Master.
A nota do BRB está sob revisão para um possível novo rebaixamento, dependendo do plano para aumentar o capital e dos impactos financeiros decorrentes do Banco Master, que serão esclarecidos após o encerramento das investigações em andamento.
Em novembro de 2025, a Fitch também rebaixou a avaliação de crédito do BRB, passando de B- para CCC. A S&P já havia feito uma redução em 19 de março, de BB para B-, todas dentro da categoria de alto risco, indicando maior vulnerabilidade do banco.
O prejuízo real do BRB relacionado ao Banco Master ainda não foi divulgado. O banco não apresentou o balanço de 2025 até o prazo legal de 31 de março, o que mantém desconhecido o tamanho das perdas relacionadas às operações feitas com o Banco Master. Investigações indicam que o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos dessa instituição.
A Moody’s ressalta que a falta de divulgação das demonstrações financeiras dentro do prazo aumentou as incertezas sobre a saúde financeira e a situação patrimonial do banco do Distrito Federal.
Após anunciar o adiamento da publicação do balanço, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, informou que vai solicitar um empréstimo entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões a bancos.
Esse pedido de empréstimo se soma à solicitação já feita ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em 24 de março, para um empréstimo de R$ 4 bilhões para capitalizar o BRB.
Segundo a Moody’s, sem a divulgação dos dados financeiros desde junho de 2025, ainda é incerto o montante necessário de capital, mas estima-se que ao menos R$ 6,6 bilhões sejam necessários para recompor o patrimônio do banco.

