A agência de classificação de risco Moody’s avalia que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) terá um impacto limitado no crédito soberano do Brasil em um curto período. Isso ocorre porque a contribuição do acordo para o crescimento econômico é modesta. No entanto, o acordo ajuda o Brasil a diversificar suas exportações para além dos mercados da China e dos Estados Unidos, diminuindo riscos geopolíticos. Além disso, favorece a entrada de investimentos estrangeiros diretos, especialmente nos setores de agronegócio e energias renováveis, o que é fundamental para o desenvolvimento do país.
De acordo com a Moody’s, o Brasil deve ser o maior beneficiário dentro do Mercosul, devido ao tipo e volume de suas exportações. Em 2024, a UE respondeu por cerca de 16% do comércio total do Mercosul. Para o Brasil, as exportações para o bloco europeu são principalmente produtos agrícolas, como carne bovina, aves e açúcar, além de produtos minerais. O acordo prevê a redução gradual de tarifas elevadas em alguns produtos europeus, como autopeças e laticínios, o que vai aumentar a competitividade e gerar redução nos custos.
Entretanto, a agência ressalta que as principais exportações brasileiras, como petróleo e produtos minerais, já enfrentam tarifas baixas, em torno de 0,5%.
Mercosul
Para o crédito dos países membros do Mercosul e setores estratégicos, o acordo com a UE é positivo, pois facilita o acesso a novos mercados, atrai investimentos e promove a diversificação comercial. A UE já é a principal fonte de investimento estrangeiro na região. Contudo, a Moody’s destaca que os ganhos imediatos são limitados devido a um processo longo de implementação e à necessidade de aprovação por vários países. O acordo também inclui compromissos ambientais, como a adesão às metas do Acordo de Paris.
Estadão Conteúdo.
