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quarta-feira, 04/02/2026

Montadoras enviam carta a Lula contra benefícios para BYD

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Em Brasília

ANDRÉ BORGES
FOLHAPRESS

Os líderes de quatro grandes empresas de carros no Brasil enviaram uma carta direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para pedir que ele não renove benefícios fiscais que zeraram o imposto para kits desmontados de carros elétricos. Essa medida beneficiou principalmente a empresa chinesa BYD, embora pudesse ser usada por outras.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) é contra a renovação do benefício. A carta, datada de 16 de janeiro de 2026, foi assinada por Ciro Possobom, presidente da Volkswagen do Brasil, Herlander Zola, presidente da Stellantis, Evandro Maggio, presidente da Toyota, e Santiago Chamorro, presidente da General Motors.

Eles dizem que a redução do imposto criada em agosto do ano anterior e válida até 31 de janeiro deste ano pode prejudicar a indústria nacional, pois favorece empresas que não produzem localmente, usando o Brasil apenas para montar peças feitas em outros países.

Os executivos explicam que a situação não é sobre fechar o mercado ou evitar concorrência, mas sim garantir que as políticas públicas apoiem o crescimento da indústria nacional.

Os kits chamados CKD (Completely Knocked Down) chegam totalmente desmontados e exigem muitas etapas de montagem no Brasil. Já os SKD (Semi Knocked Down) chegam parcialmente montados, com menos trabalho local e menos geração de empregos.

Em 2025, a BYD anunciou uma fábrica em Camaçari (BA) usando kits CKD, transformando uma antiga fábrica da Ford em um complexo de veículos elétricos. O investimento estimado é de R$ 5,5 bilhões e a capacidade inicial é de 150 mil veículos por ano, podendo crescer para 600 mil.

Até agora, não houve pedido oficial para renovar o benefício que valeu por seis meses e permitia isenção de importação até US$ 463 milhões.

O tema ganhou atenção porque há previsão de reunião no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) com o presidente da BYD, Tyler Li.

Dentro do governo, há divergências: o ministro da Casa Civil, Ruy Costa, apoia o benefício por conta dos investimentos na Bahia, enquanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é contra a extensão.

Na carta, os presidentes das montadoras lembram que importar faz parte da economia, mas deve ser temporário, para introduzir novos produtos. Produzir no Brasil é fundamental para o futuro industrial do país.

Eles destacam que a indústria automobilística emprega mais de 1,3 milhão de pessoas e mantém muitos fornecedores, e que essa base é resultado de decisões de política pública coerentes.

A Volkswagen declarou que a não renovação do benefício é essencial para garantir igualdade e competitividade, emprego, estimular a indústria e manter estabilidade para a transição tecnológica do setor.

As outras montadoras e a BYD não se pronunciaram até agora, e o Mdic também não comentou sobre o assunto.

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