LUCAS MARCHESINI E LUANY GALDEANO
FOLHAPRESS
Quatro ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) estão entre os cinco maiores beneficiados com diárias por viagens a trabalho em 2025 na administração pública federal, alcançando valores que chegaram a R$ 132 mil em um único mês. No total, esses ministros receberam R$ 2,7 milhões em diárias durante o ano.
O ministro que mais recebeu foi Walton Rodrigues, com R$ 132 mil apenas em março. Além disso, naquele mês, ele obteve R$ 13 mil de ressarcimento por despesas médicas, R$ 1.784 de auxílio-alimentação e R$ 18 mil em verbas diversas, valores que não entram no teto constitucional de R$ 46.366,19 e não sofrem incidência de Imposto de Renda.
O presidente do TCU, Vital do Rêgo, foi quem acumulou o maior total em diárias durante o ano, com R$ 600 mil para custear suas viagens.
O TCU informou que integra a Organização Internacional das Entidades Fiscalizadoras Superiores e que presidiu essa instituição até outubro de 2025, além de ocupar posições no Conselho e Auditores da ONU. Segundo a corte, as viagens são necessárias para cooperação técnica internacional e participação em compromissos em vários países.
Os ministros consultados não responderam à reportagem. As assessorias de Vital do Rêgo e Benjamin Zymler disseram que o TCU daria uma manifestação oficial.
O tribunal confirmou que todos os deslocamentos são motivados por necessidades institucionais e seguem regras de transparência e controle conforme legislação.
O ex-ministro Aroldo Cedraz, que saiu do TCU em fevereiro, foi o terceiro maior beneficiado com R$ 353 mil em diárias durante o ano. Logo após, aparece Benjamin Zymler, com R$ 318 mil.
Ministros do TCU recebem US$ 959,40 (aproximadamente R$ 4.842) por dia no exterior, valor semelhante ao de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF), mais do que o dobro do que recebem ministros do Executivo. Para viagens nacionais, a diária é de R$ 1.545,53.
As diárias cobrem hospedagem, alimentação e transporte interno em viagens a trabalho temporárias, não sendo pagas em mudanças permanentes. Além disso, passagens são custeadas para deslocamentos oficiais.
Além dos ministros, o auditor Leonardo Naves, secretário-adjunto de Relações Internacionais do TCU, recebeu R$ 292 mil em diárias por seu cargo desde janeiro de 2025.
Seis dos dez maiores valores em diárias pagos a servidores em 2025 são do TCU, somados a outras remunerações como ajudas de custo e ressarcimentos médicos. Conforme revelou a Folha de S.Paulo, 70% dos servidores do TCU recebem acima do teto constitucional.
Os dados foram obtidos via Siga Brasil, sistema do Senado Federal que reúne informações financeiras da administração pública federal.
Outros órgãos
Servidores do Executivo e Judiciário também estão entre os que mais receberam diárias. José Pedro de Camargo Rodrigues de Souza, desembargador do Tribunal Regional do Trabalho em Campinas, foi beneficiado com R$ 300 mil. Ele atua no Tribunal Superior do Trabalho (TST), que paga as diárias.
Como desembargador do TST, ele recebe 95% das diárias de um ministro do STF, cerca de US$ 911 (R$ 4.851,53). Segundo o Conselho Nacional de Justiça, ele também recebeu R$ 131 mil em “direitos eventuais”, resultando em salário líquido médio de R$ 149 mil.
Outros que receberam altos valores foram André Aranha Corrêa do Lago, diplomata e presidente da COP30 em Belém, com R$ 284 mil em 2025, e Luis Renato de Alcantara Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, que recebeu R$ 276.708,15 para despesas de deslocamento.
No alto escalão do Executivo, as diárias para viagens internacionais são equivalentes a US$ 460 (cerca de R$ 2.450,93), e para viagens internas, há um adicional de R$ 800, valores menores que os reservados a ministros de Estado.
O Ministério da Agricultura explicou que Luís Rua participou de agendas focadas na abertura de mercados, ressaltando a importância do contato presencial para fortalecer relações internacionais.
O Itamaraty declarou que as diárias são direito dos servidores e concedidas por dias fora da sede. Foram registradas oito missões de André Lago totalizando R$ 103.298,86 em 2025, pagas pelo Ministério das Relações Exteriores e pela Presidência da República após sua nomeação para a COP30.
A Presidência da República informou que as diárias para o presidente da COP30 são para cobrir negociações preparatórias da conferência, procedimento semelhante ao de outras presidências de COPs.
