Vinte e sete ministros da Agricultura dos Estados-membro da União Europeia estão reunidos na Bélgica para discutir um acordo com o Mercosul. A União Europeia anunciou a antecipação de incentivos financeiros para os agricultores, numa tentativa de superar resistências internas e viabilizar um acordo de livre comércio com o Mercosul, prevendo a liberação de até € 45 bilhões para o setor.
Os 27 ministros participam de uma reunião extraordinária em Bruxelas para tratar dos últimos detalhes e superar entraves para a aprovação do acordo.
A Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, enviou uma carta propondo ajustes na Política Agrícola Comum para o ciclo financeiro de 2028-2034. A proposta oferece recursos antecipados para fortalecer a competitividade dos agricultores europeus, preparando-os para pressões globais e acordos comerciais.
A assinatura do acordo foi adiada, principalmente pela Itália, cujo governo da primeira-ministra Giorgia Meloni solicitou mais tempo para negociar apoio interno entre agricultores. O voto italiano é crucial, dado que França, Polônia e Hungria seguem contra o acordo.
Os agricultores franceses temem competição desleal com produtos do Mercosul, que são produzidos sob normas ambientais e sanitárias diferentes das europeias.
A proposta de incentivos financeiros foi bem recebida, principalmente pela Itália, que indicou apoio ao acordo. Giorgia Meloni comemorou a iniciativa, e países como Alemanha e Espanha veem os incentivos como solução para destravar as negociações.
A França mantém oposição, com agricultores prometendo intensificar manifestações se o acordo avançar. Recentemente, o governo francês suspendeu importações de produtos sul-americanos que contenham resíduos de pesticidas proibidos na União Europeia, enquanto a Comissão Europeia avalia aplicar a medida no bloco.
Hoje, os ministros da Agricultura da União Europeia avaliam a nova proposta orçamentária e a decisão francesa. Caso o apoio da Itália seja oficializado, a votação no Conselho Europeu pode ocorrer em breve, reunindo os votos necessários para aprovação.
Se aprovado, o acordo poderá ser assinado formalmente entre União Europeia e Mercosul, possivelmente no Paraguai, que preside o bloco sul-americano. Depois, o Parlamento Europeu analisará e votará o acordo ainda neste ano.
