O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou que sua meta é reembolsar todos os aposentados que foram afetados por uma fraude fiscal no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) até o final deste ano. A irregularidade foi investigada pelo Metrópoles.
Até o momento, apenas 27% dos 1,38 milhão de aposentados e pensionistas que sofreram descontos indevidos por entidades ligadas ao INSS aderiram ao acordo estabelecido.
“A determinação do Presidente da República foi clara: não deixaremos nenhum aposentado ou pensionista de fora, desde que eles façam o acordo até o dia 14 de novembro”, explicou o ministro durante visita a uma agência dos Correios em Taguatinga na manhã de quinta-feira (24/7).
Para aderir ao acordo, o beneficiário precisa consultar seu benefício utilizando o número único do benefício, que é o único documento necessário para o processo.
Com esse número, o aposentado poderá consultar seu ressarcimento pela internet, no site ou aplicativo Meu INSS, ou presencialmente em qualquer agência dos Correios.
O ministro frisou a importância de ampliar a divulgação desta consulta em todo o Brasil, para que todos que foram lesados possam tomar conhecimento. “Muitos aposentados ainda não sabem que foram prejudicados. O governo fará campanhas e enviará avisos para que procurem o INSS e os Correios, ou liguem para o número 135”.
Ele também alertou que o INSS não realiza contatos telefônicos, não envia e-mails ou links para os beneficiários. Qualquer mensagem desse tipo deve ser ignorada para evitar golpes.
Mais de R$ 1 milhão serão liberados nesta primeira etapa para o pagamento dos prejuízos, com a expectativa de que cerca de 400 mil pessoas recebam os valores diretamente em suas contas até o final do dia.
A ordem dos pagamentos seguirá a data em que o acordo foi firmado. “Quanto antes o aposentado aderir, mais rápido será o pagamento”, acrescentou Wolney Queiroz.
Esse escândalo, inicialmente divulgado pelo Metrópoles no final de 2023, revelou que as associações envolvidas chegaram a arrecadar cerca de R$ 2 bilhões em um ano através de descontos irregulares nas mensalidades dos aposentados. Muitas dessas organizações enfrentam processos judiciais por fraudes nas filiações dos segurados.
As investigações geradas pelas reportagens levaram a abertura de inquérito pela Polícia Federal e estimularam apurações da Controladoria-Geral da União. Foram realizadas diversas matérias jornalísticas que serviram de base para a Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2024, que resultou na demissão do presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.