IDIANA TOMAZELLI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O ministro Wolney Queiroz da Previdência Social anunciou nesta quinta-feira (11) que vai reformular os órgãos de controle interno do ministério, pois constatou que esses setores não tinham a importância necessária dentro da estrutura do órgão.
A decisão veio após o escândalo envolvendo descontos irregulares em benefícios do INSS, revelado pela operação Sem Desconto, realizada pela Polícia Federal em abril deste ano.
Apesar de o INSS já ter evidências e até auditorias sobre as irregularidades, essas informações não chegaram ao ministério nem aos seus órgãos de controle.
“Os avisos teriam sido suficientes se tivessem chegado ao ministério, mas não chegaram. Os alarmes foram ignorados”, declarou o ministro durante uma sabatina no 20º congresso internacional da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).
Wolney Queiroz contou que, quando era secretário-executivo, a área de controle não tinha a relevância adequada. Ele disse não ter feito mudanças em pessoas do controle interno, corregedoria ou ouvidoria, destacando que são profissionais competentes, mas as informações não eram bem processadas. Agora, estão promovendo mudanças.
O INSS, ligado à Previdência Social, possui sua própria ouvidoria e corregedoria, mas o ministro não detalhou como a reformulação dos órgãos do ministério vai melhorar a ligação entre essas áreas, nem se isso levará a um maior controle sobre o instituto.
Wolney Queiroz também afirmou que os alertas não foram repassados ao ministério por interesse das pessoas envolvidas no esquema. Ele não mencionou nomes, mas disse que essa responsabilidade era do procurador-geral do INSS e do diretor de benefícios, cargos ocupados por Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e Vanderlei Barbosa, respectivamente, ambos afastados por conta das investigações.
Depois do escândalo, suspenderam todos os descontos de mensalidades associativas das 41 entidades habilitadas. O Congresso iniciou a discussão de um projeto para acabar com essa prática.
O ministro reconheceu que é difícil defender a volta desses descontos, mas alertou para o risco de prejudicar entidades sérias que prestam serviços aos aposentados, ao eliminar completamente essa modalidade.
“Entre essas 41 entidades, há associações corruptas criadas para enganar os aposentados. Mas também existem associações honestas que ajudam os aposentados e pensionistas há muitos anos”, afirmou.
Wolney Queiroz ressaltou que acabar com os descontos pode prejudicar entidades legítimas e que essa questão envolve um debate ideológico, citando que há uma tentativa da centro-direita de enfraquecer os sindicatos, já afetados pela reforma trabalhista, usando os descontos associativos como alternativa.
Ele mencionou ainda uma divisão dentro do governo, com alguns ministros apoiando o fim dos descontos e outros defendendo manter a prática com proteção, como biometria, revalidação anual e auditorias. “Não sei quem vai vencer essa disputa”, finalizou.