Bruno Moretti, ministro do Planejamento, comentou que o governo Lula, se reeleito, fará um ajuste gradual nas finanças públicas ao longo de quatro anos. Este ajuste será diferente do plano proposto por Flávio Bolsonaro, que, segundo Moretti, é irreal e pode acabar com importantes programas sociais.
A equipe de Flávio Bolsonaro tem falado em cortar gastos equivalentes a 1,5% do PIB, mas Moretti destacou que um corte de cerca de R$ 200 bilhões não pode ser feito sem acabar com programas como Pé-de-Meia e Farmácia Popular.
O ministro ressaltou que a eficiência na administração pública pode ajudar a economizar, mas esse valor seria limitado, em torno de R$ 10 bilhões, longe do total necessário para os cortes anunciados.
O governo Lula planeja sair do déficit atual de 0,5% do PIB para um superávit de 1,5% até 2030, um esforço que envolverá cerca de R$ 250 bilhões distribuídos em quatro anos.
Moretti explicou que no primeiro ano já é esperado um ajuste significativo, com foco em desaceleração de gastos obrigatórios e garantias de receitas suficientes para o governo.
Apesar de algumas declarações do presidente Lula minimizarem a preocupação com a dívida pública, o compromisso oficial do governo é com o equilíbrio fiscal.
No embate eleitoral, Flávio Bolsonaro afirma que não fará cortes que prejudicam quem precisa, mas não detalha como realizará o ajuste fiscal prometido.
Moretti disse que para alcançar os cortes previstos, seria necessário alterar a política de valorização do salário mínimo e desvincular reajustes de benefícios previdenciários, medidas que impactariam diretamente aposentados e beneficiários do INSS.
Segundo ele, cortar programas sociais e ainda desvincular benefícios seria necessário, pois somente extinguindo os programas sociais já existe um déficit para alcançar o ajuste prometido.
O ministro conclui que ou o ajuste não será feito como planejado ou haverá cortes significativos que afetarão benefícios essenciais aos cidadãos mais vulneráveis.
