Esther Dweck, ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, participou do painel sobre a criação de infraestrutura pública digital em escala para inteligência artificial no AI Summit na Índia. O evento contou com a presença de líderes globais, como Irina Ghose, diretora-geral da Anthropic Índia; Nandan Nilekani, cofundador da Infosys; e Trevor Mundel, presidente de Saúde Global da Gates Foundation, moderado por Shankar Maruwada, cofundador e CEO da EkStep Foundation.
Dweck explicou a importância da inteligência artificial nas compras públicas, destacando a necessidade de mudar do modelo tradicional focado no menor preço e menor risco, que limita a inovação. O governo brasileiro adotou uma abordagem baseada em políticas públicas e resultados, criando processos de licitação que incentivam a inovação e permitem contratar produtos com especificações claras, garantindo soberania digital e continuidade dos serviços.
A ministra ressaltou o uso de uma plataforma centralizada para compras públicas, que permite ampliar as operações e padronizar processos. Ferramentas digitais já ajudam a evitar fraudes em licitações, e em breve, a inteligência artificial auxiliará nas decisões dessas contratações.
Quanto à infraestrutura, Dweck enfatizou a importância de ativos físicos e digitais compartilhados. A plataforma GOV.BR, com mais de 12 mil serviços públicos federais e estaduais, permite um atendimento personalizado por meio de identificação digital e integração de dados. Chatbots informativos já foram implementados, incluindo um assistente virtual para estudantes do ensino médio que oferece orientações acadêmicas e profissionais. Projetos semelhantes avançam em áreas como saúde, benefícios sociais e segurança pública, com planos para permitir transações e o uso de agentes de IA para melhorar os serviços.
A ministra destacou que infraestruturas digitais públicas são essenciais para uma adoção segura e eficiente da IA. Até 2025, o governo federal implementou 182 soluções de IA em 58 órgãos, enfrentando desafios como falta de capacitação técnica e limitações financeiras. Uma governança unificada orienta o desenvolvimento, promovendo colaboração e otimização dos recursos, com foco na proteção dos direitos dos cidadãos e qualidade nas decisões públicas.
Como exemplo, Dweck citou o programa INSPIRE, que apoia a inovação, responsabilidade e ética no uso de IA no serviço público, envolvendo governo, pesquisa e setor privado, e organizando dados para treinar modelos de IA.
O governo investe em plataformas comuns, ferramentas compartilhadas de IA generativa, capacitação de servidores e um sistema de autoavaliação ética para garantir uma boa gestão dos riscos. A ministra alertou para os impactos da IA no mercado de trabalho, defendendo estratégias para qualificação e adaptação profissional, assegurando que processos críticos mantenham o controle humano.
Sobre soberania digital, Dweck ressaltou sua importância para garantir que as operações digitais estejam alinhadas às necessidades e valores nacionais em um contexto global.
Luanna Roncaratti, secretária-adjunta de Governo Digital, também participou do evento enfatizando a importância da governança de dados para um uso responsável da IA, que deve respeitar direitos humanos e promover inclusão social, saúde e melhorias nos serviços públicos.
*Informações fornecidas pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos

