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Saúde

Ministério da Saúde prevê aumento da dengue em 2027 e planeja reativar vacina do Butantan

O Ministério da Saúde informa que o fenômeno El Niño pode causar aumento dos casos de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue e chikungunya, em 2027.

O ministro Alexandre Padilha destacou que há intenção de reintroduzir a vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan, que foi suspensa em junho devido a registros de reações graves.

Padilha explicou que aguarda os resultados das análises sobre a segurança da vacina para decidir sobre o retorno da Butantan-DV ao Sistema Único de Saúde, sem definir um prazo.

Em 4 de outubro, o ministério estimou um aumento entre 20% e 40% nos casos de dengue para o próximo ano, embora não tenha divulgado detalhes específicos.

Um relatório da Fiocruz prevê cerca de 1,5 milhão de casos prováveis de dengue em 2027, número semelhante ao de 2025, sem considerar o impacto do El Niño.

No cenário de El Niño forte, a Fiocruz projeta um aumento dos casos entre setembro deste ano e o início de 2027, com crescimento percentual variável entre as regiões do Brasil, especialmente no Sul, que pode chegar a 138,2%. O relatório não cobre o ano inteiro de 2027 com este fenômeno.

Até agora, em 2024, o Ministério da Saúde registrou 489.197 casos prováveis de dengue.

Alexandre Padilha afirmou que a intensidade da dengue pode ser maior em áreas como o semiárido e a Amazônia, devido à maior seca.

Segundo o ministro, o aumento esperado resulta tanto do El Niño quanto da situação epidemiológica da dengue, que teve redução nos casos nos últimos anos, deixando mais pessoas suscetíveis a diferentes tipos do vírus.

O ministério e especialistas continuam avaliando os dados sobre as reações adversas da vacina do Butantan. A expectativa é que a vacina esteja disponível para uso no próximo ano.

Na mesma ocasião, Padilha informou que levará dados sobre as ações do SUS frente às mudanças climáticas para a COP31, que ocorrerá na Turquia em novembro. Entre as medidas estão a construção de unidades de saúde e hospitais com reservatórios de água maiores.

Vacina contra a dengue

Em 8 de junho, o Ministério da Saúde decidiu suspender o uso da vacina do Instituto Butantan devido a 42 casos de reações graves, incluindo duas mortes.

Aplicada em dose única, a Butantan-DV representa uma aposta do governo para proteger a população no longo prazo.

Atualmente, o SUS utiliza a vacina Qdenga, adquirida em 2024 com cerca de 10 milhões de doses da farmacêutica Takeda por R$ 1,3 bilhão. Ela é oferecida para jovens entre 10 e 14 anos na rede pública.

Alexandre Padilha também destacou que não há planos para ampliar o público da Qdenga, que tem registro para pessoas entre 4 e 60 anos.

Já a vacina do Butantan, aprovada pela Anvisa em novembro de 2025 para pessoas de 12 a 59 anos, teve a compra assinada pelo Ministério da Saúde no mês seguinte, totalizando 3,9 milhões de doses por R$ 367,9 milhões.

Os estudos mostram que a proteção dura cinco anos, mas a aplicação foi pausada para avaliar a segurança do imunizante.

Havia intenção de aumentar a produção para 60 milhões de doses, em parceria com a empresa chinesa WuXi Vaccines, mas isso depende do aval da Anvisa.

A suspensão temporária da vacina envolveu debates entre órgãos do Programa Nacional de Imunizações, a Anvisa, secretarias de saúde e especialistas.

A prioridade por imunização em massa cresceu após o surto de dengue em 2024, que resultou em 6.321 mortes. Em 2026, foram registradas 368 mortes confirmadas e outras 116 em investigação.

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