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terça-feira, 13/01/2026

Ministério da Saúde nega vacina para herpes-zóster no SUS

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VITOR HUGO BATISTA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A Conitec, que é a comissão responsável por escolher quais remédios e vacinas ficam disponíveis gratuitamente no SUS, decidiu, por unanimidade, não incluir a vacina contra herpes-zóster para idosos de 80 anos ou mais e pessoas com sistema imunológico fraco a partir dos 18 anos.

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União em 12 de agosto de 2025. Isso significa que a vacina continuará disponível apenas na rede privada, onde custa cerca de R$ 900 por dose, totalizando cerca de R$ 1.800 para as duas doses necessárias.

O Ministério da Saúde explicou que, mesmo reconhecendo a importância da vacina, ela não foi considerada viável financeiramente, pois o custo para o governo ultrapassaria R$ 5,2 bilhões em cinco anos. Para comparação, todos os remédios distribuídos pelo Programa Farmácia Popular custaram R$ 4,2 bilhões no ano anterior.

Até o momento, o laboratório que fabrica a vacina não apresentou uma nova proposta de preço. O Ministério afirmou que continuará negociando para tentar reduzir o valor e permitir a incorporação da vacina no SUS.

No Brasil, a vacina é aprovada para pessoas com 50 anos ou mais que estejam com o sistema imunológico normal. Para os imunocomprometidos, como pacientes com HIV, a vacina é recomendada a partir dos 18 anos.

Em abril do ano passado, quando o processo para incluir a vacina no SUS começou, o então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, declarou que essa vacina era prioridade para o ministério.

“Podemos fazer grandes campanhas para vacinar as pessoas que precisam dessa vacina,” afirmou Padilha.

Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos indicam que cerca de 30% da população terá herpes-zóster ao longo da vida.

Médicos infectologistas consultados lamentaram a decisão. Leandro Curi, do Hospital Felício Rocho, afirmou: “Lamento muito que uma vacina tão promissora e eficaz não esteja disponível no SUS para os grupos de risco.”

Evaldo Stanislau, infectologista e coordenador de Medicina na São Judas Inspirali, ressaltou que a vacina é uma prioridade devido à alta frequência e gravidade da doença.

“Sem a vacina, idosos e pessoas com o sistema imunológico fraco que não podem pagar continuarão expostos à doença,” disse Stanislau.

Ele ainda explicou que vacinar é mais barato do que tratar a doença, pois medicamentos e exames são caros.

Os especialistas concordam que não existe outra forma eficaz de prevenir a herpes-zóster além da vacina.

Sumire Sakabe, infectologista do Hospital Nove de Julho, destacou que cuidar da saúde e tratar doenças que enfraquecem o sistema imunológico ajudam, mas não garantem proteção total.

O que é herpes-zóster?

A herpes-zóster, também conhecida como “cobreiro”, é causada pelo mesmo vírus da catapora. Depois da catapora na infância, o vírus fica escondido nos nervos do corpo.

Quando o sistema imunológico enfraquece, seja por doença, uso de medicamentos ou envelhecimento, o vírus pode se reativar, causando a herpes-zóster.

Os sintomas começam com queimação na pele, seguida de vermelhidão e bolhas que podem infectar pessoas que nunca tiveram catapora.

As bolhas secam depois, formando crostas. A doença afeta geralmente um lado do corpo, seguindo o trajeto de um nervo.

Pode haver também febre e cansaço, e alguns casos não apresentam feridas, dificultando o diagnóstico.

Pessoas idosas ou com o sistema imunológico debilitado, como aquelas com HIV, câncer ou diabetes, têm maior risco de desenvolver herpes-zóster.

Situações de estresse e fadiga também podem favorecer a doença em pessoas saudáveis, segundo Sakabe.

Como funciona a vacina?

A vacina anterior contra herpes-zóster, chamada Zostavax, usava vírus vivos e tinha limitações de eficácia e segurança, sendo descontinuada.

Atualmente, a vacina mais usada é a Shingrix, que usa vírus inativado e estimula o sistema imunológico para prevenir a doença.

Stanislau explica que esta vacina reduz quase totalmente a chance de ter herpes-zóster ou a reativação da infecção.

Sakabe reforça que a vacina é segura e eficaz, recomendada em duas doses, mesmo para quem já teve a doença, pois a herpes-zóster pode voltar.

O esquema de vacinação consiste em duas doses, com intervalo entre 2 e 6 meses, com prazo máximo de 180 dias entre as aplicações.

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