São Paulo, SP
O ex-vereador Milton Leite está preso há um mês por suspeita de envolvimento em um esquema com organizações criminosas em empresas de ônibus que atuam no serviço público. Na cadeia pública de Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo, ele recebeu visitas de políticos para discutir alianças partidárias.
No domingo (18), o deputado estadual Delegado Olim (PP) revelou que visitou Milton Leite depois do primeiro turno das eleições para tratar das articulações da federação União Brasil-PP. Olim planeja assumir a liderança do grupo na Assembleia Legislativa de São Paulo em fevereiro, quando começa o novo mandato. Mesmo preso, Milton Leite manteve cargos importantes no partido União Brasil, como presidente do diretório municipal e tesoureiro da executiva estadual.
Ele também é copresidente da federação estadual, por isso sua aprovação é necessária para a escolha do líder na Assembleia. Olim declarou que foi ao encontro para pedir o apoio e descansou que essa conversa durou cerca de 30 minutos.
A reunião foi realizada em uma sala de visitas da cadeia, onde dezenas de deputados já estiveram, segundo o deputado. O ex-vereador recebeu ainda a visita de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, acompanhado da esposa advogada. Olim teria ido à cadeia um dia após essa visita.
Em outra ação, autoridades encontraram R$ 155 mil e cerca de US$ 10 mil com um carcereiro suspeito de facilitar regalias a Milton Leite. Foram feitas buscas em uma delegacia e em uma casa na região, e cinco policiais, incluindo três delegados, um investigador e um carcereiro, foram afastados.
A delegada responsável afirmou estar tranquila e que o tratamento especial atribuído a Milton Leite, como televisão e marmitas, foi autorizado pelo juiz corregedor durante uma inspeção no período em que ela estava de férias. A defesa do ex-vereador garante que ele não recebe privilégios e segue as mesmas regras que os demais presos.
O advogado de Milton Leite, Aloísio Medeiros, disse que percebeu o rigor normal do sistema prisional nas visistas ao cliente e acredita que a prisão temporária pode ser um excesso. Ele também ressaltou que não presenciou a presença de outros políticos na cadeia durante suas visitas.
Investigações seguem em andamento para esclarecer o caso, incluindo um inquérito policial e procedimentos disciplinares. Milton Leite foi detido no âmbito da operação Vectura Corrupta, que apura a atuação da facção criminosa PCC no transporte coletivo de São Paulo. Ele nega envolvimento em qualquer crime.
Segundo apuração, Milton Leite seria o verdadeiro dono da empresa Transwolff, que operava linhas de ônibus na capital e teve seu contrato cancelado por suspeita de ligação com o grupo criminoso. O pedido de prisão baseou-se em citações feitas por fontes durante investigações, mas não há provas de pagamentos ou sociedade direta associadas a ele.
