Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel do Exército preso desde novembro de 2024 por sua participação na Operação Contragolpe, declarou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (28/7) que a ideia de deter ministros da Corte foi um “cenário apenas hipotético”. Ele está sendo interrogado como acusado no núcleo 3 de um esquema golpista que visava impedir a posse do presidente eleito em 2022.
Este grupo, conhecido como “kids pretos”, formado por forças especiais militares, é composto por nove oficiais de alta patente e um agente da Polícia Federal (PF). Eles são acusados de planejar ataques ao sistema eleitoral e arquitetar ações que culminariam na ruptura das instituições democráticas, incluindo um plano para eliminar autoridades que resistissem ao golpe.
Sobre a Operação Luneta, um documento detalhado incluindo análise de riscos e avaliação do ambiente estratégico, Hélio Ferreira afirmou que a realidade não corresponde ao relato da Polícia Federal. Segundo o indiciamento, ele teria planejado a prisão de juízes supremos considerados como causadores de instabilidade.
Ao STF, ele frisou que essa hipótese não implicava nenhuma ação ilegal, sendo amparada por normas jurídicas e que não envolvia a intenção de eliminar alguém. Ele disse: “O cenário era completamente hipotético. Não há menção a qualquer ato contra ministros, e nada disso é ilegal.”
Hélio ainda explicou que nem consultou seu superior, um general, sobre o plano, pois, ao discutir a questão, o general teria sugerido deixar essa ideia de lado para focar em outras ações relacionadas ao QG no Rio Grande do Sul.
Os acusados do Núcleo 3 respondem por acusações que incluem tentativa de derrubar o Estado Democrático de Direito pela força, tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado por violência, ameaça grave ao patrimônio público e degradação de patrimônio histórico.