JORGE ABREU
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
As vibrações na Amazônia, como o vento, a chuva ou até o movimento de um animal, podem ser transformadas em energia elétrica para alimentar sistemas de monitoramento remoto, adaptados às condições do bioma, como a umidade.
Essa tecnologia, chamada piezoeletricidade, é o foco de uma pesquisa da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) para ampliar o monitoramento ambiental, que atualmente depende de baterias comuns e painéis solares, ambos com limitações.
Yurimiler Ruiz, coordenador do projeto e do Laboratório de Processamento de Materiais Tecnológicos da Ufam, destaca que sua equipe trabalha com materiais aplicados para a transição energética.
“Desenvolvemos novos materiais e exploramos diferentes características para ampliar as possibilidades de uso do sistema, melhorando propriedades mecânicas e elétricas, especialmente adaptadas para a Amazônia”, explicou ele.
Segundo Ruiz, essa microgeração une tecnologia e sustentabilidade, porque os materiais usados não contêm chumbo, diferente dos modelos tradicionais. Além disso, os equipamentos ficam mais baratos e eficientes para alimentar os sistemas de monitoramento remoto.
Os protótipos ainda estão em testes laboratoriais. A pesquisa necessita de mais financiamento para ser aprimorada e, depois, aplicada em áreas estratégicas da Amazônia.
O monitoramento remoto utiliza técnicas que captam informações sobre a fauna, por meio do registro da interação da radiação eletromagnética com a superfície, contribuindo para pesquisas científicas.
Além do monitoramento ambiental e territorial, a iniciativa pode beneficiar comunidades isoladas na Amazônia. O protótipo serve para fornecer energia a dispositivos pequenos e de baixa potência, como lanternas, celulares e sistemas de alerta.
“O objetivo é melhorar as condições de vida dessas comunidades isoladas, especialmente onde o acesso à energia elétrica é limitado ou inexistente”, afirmou Ruiz.
O projeto conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
“Estamos tentando, pela ciência, colocar a Amazônia no lugar que merece, não apenas como um pedaço de terra cheio de floresta, onde muitas ações sociais não chegam”, concluiu o coordenador do projeto.

