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sexta-feira, 29/08/2025

México supera EUA e se torna segundo maior comprador da carne brasileira

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ANDRÉ BORGES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

As vendas brasileiras de carne bovina indicam uma mudança importante: enquanto as exportações para os Estados Unidos caem devido a uma sobretaxa imposta pelo governo do ex-presidente Donald Trump, o México tem se destacado como um novo grande comprador.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, o setor está registrando volumes recordes de exportação global, apesar da redução nas vendas para os EUA, e novos países estão ganhando destaque entre os maiores importadores.

Até o ano passado, o México não estava entre os dez maiores compradores da carne brasileira, mas agora ultrapassou os Estados Unidos, tornando-se o segundo maior importador, atrás apenas da China, que continua aumentando suas compras.

Em abril, o presidente Donald Trump aplicou uma taxa de 10% sobre carnes brasileiras importadas pelos EUA, que naquele mês alcançaram um nível recorde de US$ 229 milhões para 44,2 mil toneladas. Contudo, em junho, as compras caíram drasticamente para 13,5 mil toneladas e US$ 75,4 milhões, um reflexo da tarifa existente e da ameaça de aumento para 50%.

No mês de julho, essa queda persistiu, com os EUA gastando US$ 68,7 milhões para comprar 12,3 mil toneladas, uma redução de 70% em relação a abril.

Por outro lado, o México se tornou um dos principais destinos da carne brasileira. Em janeiro deste ano, comprou apenas 3,1 mil toneladas, subindo para 11 mil em abril e alcançando um recorde de 16,2 mil toneladas em junho, um crescimento de 423% em seis meses.

Entre 1º e 28 de julho, o México gastou US$ 69 milhões em carne brasileira, superando os EUA em valor, com volumes quase iguais em torno de 12 mil toneladas para ambos os países.

O Chile também está expandindo suas compras, subindo de US$ 45 milhões em janeiro para mais de US$ 66,5 milhões em julho, próximo aos valores do México e dos EUA.

A China, que importa mais da metade da carne brasileira exportada, continua a aumentar sua participação, investindo US$ 740 milhões em junho e mais de US$ 732 milhões até o final de julho para 132 mil toneladas, um dos maiores volumes mensais já registrados.

Os dados globais confirmam que há uma mudança significativa no destino das exportações brasileiras de carne bovina, com o Brasil mantendo seu posto como maior exportador mundial.

Julho, mesmo considerando dados até o dia 28, foi mês recorde para exportação da carne, totalizando US$ 1,352 bilhão, superando junho e registrando alta de pelo menos 30% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

A partir de 6 de agosto, o governo americano passará a aplicar uma sobretaxa de 50% sobre a carne brasileira, o que deve intensificar ainda mais essa reorganização do mercado.

O governo brasileiro e os produtores continuam buscando negociações com as autoridades e a indústria importadora dos EUA para tentar reduzir essa sobretaxa, ressaltando que a situação também prejudica o consumidor americano.

Hoje, o Brasil é o principal fornecedor de carne bovina para os EUA, seguido por Austrália, Nova Zelândia e Uruguai.

Também há esforços para ampliar exceções à sobretaxa, com negociações que podem ser longas. Uma possível abertura de diálogo entre o ministro Fernando Haddad (Fazenda) e o secretário do Tesouro americano Scott Bessent é vista como uma aposta para avançar nessas tratativas.

O governo do presidente Lula acredita que as conversas econômicas devem continuar e até se intensificar, independentemente das sanções financeiras aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes do STF.

Fontes do governo apontam que Scott Bessent tem influência significativa nas decisões do governo americano, sendo um conselheiro de Donald Trump respeitado entre os países com acordos comerciais com os EUA, mais influente do que o secretário de Comércio, Howard Lutnik, que mantém contato com o vice-presidente Geraldo Alckmin.

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