MATEUS ARAÚJO
UOL/FOLHAPRESS
Comerciantes de uma conhecida área de moda autoral na rua Mateus Grou, em Pinheiros, foram avisados pelo Metrô de São Paulo sobre a desapropriação de suas lojas para a construção de uma estação da nova linha 20-Rosa. Moradores e lojistas afirmam que foram surpreendidos e reclamam da falta de diálogo com as autoridades. O Metrô não respondeu à reportagem.
A notificação do Metrô informa que parte dos imóveis na rua Mateus Grou será desapropriada para a construção da estação, que ligará a Lapa a Santo André, no ABC Paulista.
A área afetada possui 3.802,40 m² na esquina da Mateus Grou com a Cardeal Arcoverde, incluindo também imóveis da rua Doutor Virgílio de Carvalho Pinto, próxima a uma vila. No ano anterior, moradores daquela vila também expressaram preocupação com a desapropriação, mas foram informados posteriormente de que não seriam afetados.
As casas da esquina, construídas na década de 1960, são dez sobrados que abrigam lojas de moda autoral em um bairro marcado pela elevação de prédios residenciais e comerciais.
Pinheiros é o segundo bairro mais caro de São Paulo para imóveis, com valor de R$ 18.355 por metro quadrado, ficando atrás apenas do Itaim Bibi.
Heloisa Strobel, estilista e proprietária da marca Reptilia, instalada na localidade há seis anos, ficou surpresa com o aviso recebido. Segundo ela, as casas sempre despertaram interesse do mercado imobiliário, mas os proprietários não desejavam vender.
Um jovem publicitário, João Rocha, que havia alugado uma das casas recentemente para abrir sua loja de roupas, também relatou prejuízos com a notícia, afirmando que, se soubesse antes, não teria mudado.
Moradores questionam a necessidade de uma nova estação tão próxima de outra já existente, a Fradique Coutinho, da linha 4-Amarela, localizada a cerca de 750 metros de distância. Outra estação da linha 20-Rosa, Girassol, ficará a aproximadamente 550 metros do local da desapropriação.
A comunidade pede mais diálogo e transparência do Metrô e do governo estadual, com destaque para a solicitação de uma audiência pública para discutir o projeto e sua importância. Majory Imai, administradora e integrante da associação de moradores e comerciantes da rua, destaca que não são contra o metrô, mas exigem participação nas decisões.
A notificação recebida não informa prazos, mas explica que os próximos passos incluem o cadastramento dos imóveis e a realização de avaliação técnica para definir o valor a ser pago aos proprietários. Caso o valor seja aceito, será firmado acordo; se não, o caso seguirá à Justiça.
O projeto básico da linha 20-Rosa está previsto para ser finalizado em julho, com etapas seguintes incluindo audiências públicas para apresentação e discussão do projeto com a população.
