Os preços dos imóveis aumentaram em média 6,5% no ano passado, segundo o Índice FipeZap de Venda Residencial. No Distrito Federal, o crescimento foi de 4,05%. Apesar dos desafios enfrentados pelo setor devido às altas taxas de juros, o mercado imobiliário na capital demonstra otimismo para 2026.
Segundo Celestino Fracon Júnior, presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF), 2025 foi um ano complicado para a construção civil e o mercado imobiliário em Brasília. “Apesar de a velocidade das vendas ter se mantido em níveis satisfatórios, as elevadas taxas de juros e a indefinição fiscal no governo federal geram preocupação aos empresários”, afirmou Fracon Júnior.
“A expectativa para 2026 é que as taxas de juros comecem a cair. A redução dos juros é sempre bem recebida pelo mercado. Esperamos que isso aconteça em breve e que o Governo Federal também apresente uma solução para a questão fiscal. Caso essas condições se concretizem, o próximo ano terá perspectivas positivas”, declarou o presidente da Ademi-DF.
A taxa básica de juros, a Selic, encerrou 2025 em 15% ao ano, um dos maiores níveis dos últimos 20 anos. O Boletim Focus do Banco Central divulgado em 5 de janeiro de 2026 indica que a Selic deve cair para 12,25% ao longo deste ano. O aumento da Selic tem o objetivo de conter a demanda aquecida, o que encarece o crédito e estimula a poupança, impactando os preços.
Por outro lado, com a redução da Selic, o crédito fica mais acessível, incentivando a produção e o consumo, o que pode impulsionar a economia, embora possa haver maior pressão inflacionária.
Valores de aluguel em alta
Ovídio Maia, presidente do Sindicato da Habitação do Distrito Federal (Secovi-DF), explicou que o mercado de aluguel continua aquecido devido às altas taxas de juros, que dificultam o acesso ao financiamento imobiliário. Isso leva mais pessoas a optarem pelo aluguel, elevando os preços. “Com juros superiores a 12% ao ano, os custos para os compradores aumentam, fazendo com que a demanda por locação cresça, o que pressiona a alta dos valores”, comentou Maia.
O Secovi-DF registrou até outubro de 2025 um aumento dos valores de aluguel de imóveis usados de 8,13% nos últimos 12 meses, superando a inflação e outros indicadores econômicos. Já os preços de venda desses imóveis cresceram de forma mais contida devido às altas taxas de juros e ao crédito mais restrito.
Maia destacou que, caso os juros caiam em 2026, os valores de aluguel podem reduzir, mas ressaltou que o cenário político e econômico do ano eleitoral pode interferir nesse resultado. Além disso, a renegociação dos contratos e a possível reforma tributária também podem influenciar os preços, com os custos possivelmente repassados aos inquilinos.
Regiões com oportunidades
Celestino Fracon Júnior indicou algumas áreas do Distrito Federal que devem atrair interessados em imóveis. “Há grande expectativa com o começo das vendas do setor Jockey Clube, que deverá ser um polo de desenvolvimento importante. Áreas já consolidadas como a DF 140, a saída para Sobradinho, Ceilândia, Samambaia e Gama continuam com muitas ofertas para o segmento econômico”, afirmou.
O presidente da Ademi-DF também ressaltou o alto padrão em regiões como Águas Claras, com muitos lançamentos, e Noroeste, que está em fase final de empreendimentos. O Parque Sul também recebe novos lançamentos, completando a lista de locais promissores para compra de imóveis na capital.
