O Banco Central do Brasil iniciou a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que vai decidir sobre a taxa de juros do país. Atualmente, as previsões do mercado estão divididas, com quase um empate técnico entre as instituições financeiras. Uma pesquisa com 75 bancos e consultorias mostra que 39 acreditam em uma queda de 0,25 ponto percentual nos juros, enquanto 36 esperam que a taxa Selic permaneça em 13,75% ao ano.
Independente da decisão, espera-se que a taxa de juros se mantenha nesse nível até o fim do ano, pois não há previsão de alteração na última reunião anual marcada para dezembro.
Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorreu uma desvalorização do real frente ao dólar, e os juros refletiram a cautela dos agentes com relação às políticas fiscais do novo governo. Além disso, o preço do petróleo acima de 110 dólares, influenciado pelos conflitos no Oriente Médio, aumenta as preocupações que podem dificultar a redução dos juros.
Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos, destaca que o cenário está dividido, mas acredita em mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, baseando seu pensamento na atividade econômica mais fraca. Segundo ele, a recente volatilidade do mercado e a desvalorização do câmbio ainda não são suficientes para indicar uma tendência clara.
Kautz acrescenta: “Com essa variação recente no câmbio, o Banco Central ainda não sabe se é uma mudança duradoura. Por isso, é melhor evitar apostas precipitadas”.
Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter, também prevê um corte na taxa hoje e acredita que o Copom deve sinalizar uma pausa no processo de redução dos juros. Ela explica que a atual taxa de 13,50% é suficiente para conter a inflação prevista para o início de 2027, mas não vê espaço para novos cortes no momento.
Vitoria destaca que a manutenção da taxa também é possível, já que as projeções para o IPCA de 2027 foram elevadas recentemente para 5%. Essa revisão pode fazer o Banco Central antecipar a pausa já na reunião de novembro, mantendo a Selic em 13,75%.
Nicolas Borsoi, estrategista da Tullett Prebon, acredita que a Selic deve permanecer em 13,75%. Segundo ele, olhando a situação atual — o valor do dólar em 5,40 reais e o preço do petróleo em 110 dólares o barril — a decisão mais provável é a manutenção da taxa.

