LEONARDO VIECELI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
O mercado de trabalho no Brasil está batendo recordes históricos, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas o órgão evita afirmar que o país está em pleno emprego.
O termo ‘pleno emprego’ pode ser entendido de várias formas, e o IBGE não usa esse conceito porque não existe uma medida única para defini-lo.
Economistas geralmente falam em pleno emprego quando a maioria das pessoas que querem e podem trabalhar consegue um emprego. Mas não há consenso sobre qual taxa de desemprego indica que o pleno emprego foi alcançado.
No segundo trimestre deste ano, a taxa de desemprego caiu para 5,8%, a menor já registrada desde 2012, quando a pesquisa Pnad Contínua foi iniciada.
A porcentagem de pessoas com 14 anos ou mais que estão trabalhando chegou a 58,8%, outro recorde. Também foram registrados números máximos para o total de trabalhadores ocupados (102,3 milhões), a renda média mensal (R$ 3.477), os empregados com carteira assinada no setor privado (39 milhões) e os trabalhadores por conta própria (25,8 milhões).
Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, o Brasil pode estar em pleno emprego. Ele explica que a taxa de desemprego atual está abaixo da taxa ‘Nairu’, que é o nível natural de desemprego que não aumenta a inflação.
Sergio Vale estima que a taxa Nairu esteja em torno de 8%, e como o desemprego medido pelo IBGE é menor, o mercado de trabalho está aquecido, o que pode provocar aumento nos salários e na inflação.
Os preços dos serviços subiram 6,18% nos 12 meses até junho, enquanto a inflação geral foi de 5,35%, segundo o IBGE.
O IBGE declarou que não adota o conceito de pleno emprego e ressaltou as diferenças econômicas entre regiões do país.
No primeiro trimestre, 16 dos 27 estados brasileiros apresentaram taxas de desemprego acima da média nacional de 7% naquele período.
Estados como Pernambuco (11,6%) e Bahia (10,9%) tiveram os maiores índices, enquanto Santa Catarina (3%) e Rondônia (3,1%) apresentaram os menores.
Para o economista Rodolpho Tobler, do FGV Ibre, apesar dessas diferenças regionais, o Brasil vive um quadro de pleno emprego, pois a taxa de desemprego está abaixo de 6% a 7%, faixa que ele considera adequada para identificar essa condição.
Rodolpho Tobler afirma que o mercado de trabalho está mais aquecido do que se esperava.
Já o economista Vitor Hugo Miro, da Universidade Federal do Ceará, acredita que o Brasil está em pleno emprego ou muito próximo disso. Ele destaca que a taxa natural de desemprego do país pode ser próxima de 8%, e que o mercado de trabalho atual é mais flexível, devido a mudanças recentes.
Vitor Hugo Miro também ressalta a diversidade regional, afirmando que a taxa de desemprego é uma média para um país muito heterogêneo.
O economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, considera difícil afirmar que o Brasil está em pleno emprego, mesmo com os bons números recentes. Ele destaca que os modelos de análise podem não captar todas as mudanças, como o envelhecimento da população e os efeitos da tecnologia.
Bruno Imaizumi acredita que o país terá taxas de desemprego mais baixas, mas que o mercado de trabalho ainda não está perfeito, citando a alta taxa de informalidade, que está em 37,8%.
Por fim, o professor José Luis Oreiro, da Universidade de Brasília, afirma que o conceito de pleno emprego não se aplica ao Brasil, pois há um ‘desemprego disfarçado’.
Esse desemprego inclui pessoas que têm empregos, mas que trabalham em funções de baixa produtividade.
José Luis Oreiro explica que muitos trabalhadores estão na informalidade, não por escolha, mas porque não conseguem emprego formal na economia.