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quinta-feira, 08/01/2026

Menos safra e carnes mais caras: o que esperar dos preços dos alimentos em 2026

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As primeiras previsões para a safra brasileira indicam uma colheita um pouco menor do que a de 2025, mas ainda suficiente para evitar grandes aumentos nos preços para o consumidor. No entanto, os alimentos devem ficar mais caros em 2026, especialmente as proteínas animais.

Maria Andreia Parente Lameiras, técnica de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta uma pressão nos preços da carne.

“A safra prevista para 2026 deve ser parecida com a de 2025, apenas um pouco menor, mas nada muito significativo. Já a produção de carnes, especialmente de origem bovina, deve cair”, explicou. “Nos anos de 2024 e 2025, houve muito abate de fêmeas, o que vai demorar para ser recomposto. A projeção indica uma queda de cerca de 10% no abate em 2026. Não é catastrófico, mas é relevante.”

Essa redução deve influenciar o preço das outras proteínas, já que a demanda aumenta com a busca por alternativas.

“Quando a carne bovina fica mais cara, as pessoas migram para outras proteínas, como frango, suíno e ovo, o que faz o preço desses produtos subir também”, comentou Maria Andreia.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima inflação dos alimentos em casa de 2,05% para 2025, contra 8,23% em 2024, e prevê que em 2026 o índice suba para 4,78%, conforme as projeções para carne bovina, soja e milho.

Bruno Lucchi, diretor técnico da CNA, destaca que a produção deve crescer em várias cadeias, exceto algodão, laranja e café, influenciados pelos preços. Ele avalia que as commodities iniciarão 2026 com preços mais baixos no mercado internacional.

A Leme Consultores projeta 6,1% de inflação nos alimentos em 2026, considerando um câmbio estável, ante 2,5% em 2025. José Ronaldo Souza Júnior, economista-chefe da Leme, acredita que a inflação dos alimentos terá uma pressão moderada em 2026, impulsionada pelas carnes, e que qualquer desvalorização do real poderá agravar essa alta.

José Carlos Hausknecht, sócio-diretor da MB Agro, avalia uma pressão moderada nos preços dos alimentos, com maiores dificuldades na carne bovina, e projeta preços controlados para os demais produtos caso a safra seja maior.

Qual a estimativa para a safra

O segundo prognóstico para a safra brasileira aponta uma produção de 335,7 milhões de toneladas em 2026, 3% menor que em 2025, ou seja, cerca de 10,2 milhões de toneladas a menos, segundo dados do IBGE. Apesar dessa queda, o valor ainda é 2,9 milhões de toneladas superior à primeira previsão.

Carlos Barradas, gerente de agropecuária do IBGE, explica que a redução se deve a uma base de comparação elevada em 2025, ano de safra recorde. Mesmo assim, espera-se um novo crescimento na soja, que deve alcançar 167,6 milhões de toneladas, um aumento de 1%.

O recuo geral é puxado principalmente pelo milho, cuja produção deve cair 6,8%, cerca de 9,6 milhões a menos. Essa estimativa, no entanto, é suficiente para manter os preços dos alimentos em níveis considerados confortáveis.

Carlos Barradas também enfatiza que a safra de verão, que está em andamento, apresenta boas perspectivas para o Brasil como um todo.

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