Crianças e adolescentes com até 17 anos estão investindo cerca de R$ 3,5 bilhões no mercado de ações no Brasil, segundo informações da B3. Atualmente, existem 60,8 mil investidores nessa faixa etária, representando um aumento de 58% em relação a dezembro de 2022.
Esse crescimento mostra o interesse das famílias em guardar dinheiro para o futuro dos filhos, como pagar a faculdade, financiar um intercâmbio ou garantir mais segurança no início da vida adulta. Para Lucy Barbosa, planejadora financeira da VLG Investimentos, o primeiro passo é definir o objetivo do dinheiro antes de escolher onde investir.
Ela explica que entender quando e como o dinheiro será usado ajuda a decidir quanto guardar e quais investimentos são melhores. Lucy também destaca que é mais importante fazer contribuições regulares do que começar com valores altos.
Dados da B3 indicam que quase 46 mil menores têm ações e cerca de 31,5 mil investem em fundos imobiliários. O interesse se estende a investimentos ligados à educação. No Tesouro Educa+, um título público criado para ajudar a planejar custos educacionais, há 12,9 mil investidores de até 17 anos, com saldo médio de R$ 2,5 mil.
Planejamento financeiro deve ser prioridade
Começar a investir cedo ajuda a acumular recursos devido aos juros compostos, mas é importante que isso não comprometa o orçamento da família. Lucy alerta que despesas essenciais e uma reserva de emergência precisam ser prioridade.
Sem essa base, imprevistos podem forçar a retirada do dinheiro investido antes do ideal. A recomendação é definir valores que o orçamento comporta e revisar o planejamento sempre que a renda ou as prioridades da família mudarem.
O tempo para usar o dinheiro também é importante para escolher onde investir. Para objetivos de curto prazo, o ideal é optar por investimentos mais seguros e que permitam resgatar na data prevista. Títulos públicos ligados à inflação e o Tesouro Educa+ são boas opções conforme a necessidade.
Para objetivos de longo prazo, uma carteira diversificada pode incluir ações, desde que os responsáveis entendam os riscos e as variações do mercado. A previdência privada também pode ser uma alternativa, observando as taxas cobradas, a tributação e as regras para resgate.
Educação financeira desde cedo
Além de guardar dinheiro, planejar os investimentos pode ajudar no ensino sobre finanças para crianças e adolescentes. A participação dos filhos, de acordo com a idade, permite explicar para que serve o dinheiro reservado, a importância de economizar e os riscos dos investimentos.
Para Lucy, esse aprendizado ajuda os jovens a entenderem que o dinheiro envolve escolhas, planejamento e paciência. Dessa forma, a reserva financeira pode servir não só para projetos futuros, mas também para preparar os filhos para administrar seu próprio dinheiro na vida adulta.

