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Aconteceu

Médium suspeita de usar redes sociais para criar cartas falsas

Arte / Metrópoles

Em meio ao luto e à busca por conforto, dezenas de famílias no Distrito Federal e em outros estados foram alvo de uma investigação que revelou um esquema de cartas psicografadas falsas. As mensagens, criadas com base em dados obtidos em redes sociais e outras fontes públicas, colocaram em dúvida a credibilidade de uma renomada médium brasileira.

A reportagem conversou com várias pessoas que procuraram Maira Rocha, uma figura conhecida nas redes sociais, com mais de 750 mil seguidores no Instagram. Muitos relataram ter recebido cartas com informações que pareciam copiadas diretamente de postagens no Facebook e Instagram ou contendo erros e informações desconexas, como menções a espíritos de pessoas ainda vivas ou nomes inventados.

Maira Rocha é fundadora da Casa de Caridade Inácio Daniel, localizada na Área de Desenvolvimento Social de Águas Claras, em Brasília. Segundo denúncias, a médium não tolera questionamentos e responde com ações judiciais e boletins de ocorrência contra críticos, acusando-os de intolerância religiosa.

Vítimas relataram que as cartas psicografadas apresentavam trechos idênticos a publicações feitas meses ou anos antes nas redes sociais. Em alguns casos, informações pessoais de familiares eram usadas de maneira incorreta, o que ampliou a desconfiança sobre a autenticidade das mensagens.

A Federação Espírita Brasileira (FEB) alertou para que o público tenha cautela com médiuns que solicitam doações e destacou que o trabalho mediúnico deve ser gratuito, conforme os ensinamentos da religião. A FEB também ressaltou que o espiritismo valoriza o questionamento, e médiuns devem permitir dúvidas sobre seus métodos.

Além disso, foi informado que cartas psicografadas verdadeiras são feitas por médiuns respeitados e que o processo não é instantâneo nem garantido para todos que buscam comunicação com entes queridos.

Testemunhos de vítimas, como Paulo e Fábia, mostram o impacto psicológico causado pelas cartas falsas, que geraram desesperança e crises de ansiedade. A psicóloga Juliana Gebrim comentou que o luto torna as pessoas vulneráveis, e o engano pode gerar sérios danos emocionais.

Uma investigação policial está em andamento na 11ª Delegacia de Polícia de Núcleo Bandeirante para apurar as denúncias. Embora o registro da ocorrência tenha sido feito em 2025, o inquérito só foi instaurado quase um ano depois.

As acusações contra Maira Rocha revelam um caso grave de exploração da dor e da esperança das famílias enlutadas, destacando a importância de cautela ao buscar conforto em fenômenos mediúnicos.

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