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segunda-feira, 06/04/2026

Médico preso no Senegal por suspeita de homossexualidade gera medo

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Um médico do Centro Nacional de Transfusão de Sangue, no Senegal, foi preso acusado de ter relações homossexuais e transmissão intencional do HIV. A prisão aconteceu na quinta-feira, 2 de abril, no Aeroporto Internacional Blaise Diagne, em Dakar. O homem de 38 anos, cujo nome não foi divulgado, está sendo investigado por supostas relações com o apresentador Pape Cheikh Diallo, que também enfrenta acusações similares.

A notícia da prisão provocou uma onda de pânico nas redes sociais, com muitas pessoas questionando a segurança das bolsas de sangue coletadas. O Centro Nacional de Transfusão de Sangue afirmou que todo sangue coletado é rigorosamente testado para garantir a segurança, especialmente para o HIV, e que doar sangue continua sendo um ato seguro.

Nova lei mais dura contra homossexuais

No Senegal, país com forte influência religiosa muçulmana, a homossexualidade é considerada um crime. Recentemente, uma nova lei foi aprovada aumentando a pena de prisão para quem mantém relações homossexuais, que agora varia de cinco a dez anos de prisão.

Assane, que teve seu nome alterado para preservar a identidade, relatou a perseguição que enfrenta no país. Seu pai o ameaçou de morte ao descobrir sua orientação sexual, e a mãe o rejeitou. Apesar de ter sido bem visto pela vizinhança anteriormente, Assane passou a ser alvo de ódio e discriminação.

Para ele, ser homossexual não é uma escolha, mas uma condição que enfrentou com dificuldades. Ele conseguiu fugir para a França há sete meses, mas muitos na comunidade LGBT+ no Senegal enfrentam ameaças constantes.

Medo e isolamento crescente

Com a intensificação da repressão no Senegal, membros da comunidade LGBT+ vivem em constante medo. Telefones são revistados para identificar e prender outras pessoas, e o uso de aplicativos e redes sociais diminuiu significativamente para evitar perseguições.

A organização francesa Stop Homophobie criou uma linha de ajuda para apoiar pessoas ameaçadas, recebendo dezenas de pedidos de ajuda para fuga do país. Segundo Inès Sanoussi, coordenadora da linha, a homofobia crescente limita a vida cotidiana dessas pessoas, que evitam sair de casa ou buscar tratamento médico por medo de represálias.

Busca por segurança fora do Senegal

Amigos e membros da comunidade que sofrem assédio tentam deixar o país em busca de segurança, mas muitos enfrentam dificuldades financeiras. A única alternativa para muitos é buscar refúgio no exterior.

Desde 2021, o Senegal não é mais considerado seguro pelo Escritório Francês para a Proteção de Refugiados e Apátridas devido ao aumento da perseguição aos homossexuais. O endurecimento das leis locais agrava ainda mais essa situação para a comunidade LGBT+ no país.

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