O Ministério Público do Paraná denunciou uma médica responsável pela unidade pediátrica de um hospital particular em Campina Grande do Sul, próximo a Curitiba, pela morte de seis crianças na UTI entre maio e julho de 2024.
As vítimas, incluindo recém-nascidos, faleceram devido a infecções hospitalares causadas por bactérias resistentes a múltiplos antibióticos, resultando em choque séptico e falência de órgãos.
O hospital Angelina Caron, onde ocorreram os fatos, afirmou não ter sido oficialmente notificado sobre o processo e que esclarecerá os fatos assim que for formalmente comunicado.
De acordo com a acusação, a médica agiu com negligência grave, falhando na fiscalização e desrespeitando protocolos básicos de higiene e segurança, o que gerou contaminação cruzada. Entre as práticas inadequadas estavam a reutilização de luvas entre pacientes, falta de banho, e manuseio incorreto de intubações e fraldas.
O promotor Éder Teodorovicz detalhou que tais ações inaceitáveis permitiram a propagação da contaminação dentro da unidade.
A denúncia, apresentada em agosto e já acolhida pela Justiça, prevê a responsabilização por homicídio culposo, que ocorre quando não há intenção de matar.
O advogado especialista em direito da saúde, Gabriel Bergamo, explicou que a pena pode variar de 1 ano e 4 meses a 4 anos de prisão por cada morte, podendo ainda ser aumentada.
Além da esfera criminal, o Ministério Público solicitou uma indenização mínima de R$ 50 mil para cada família afetada. O hospital também pode responder civilmente caso seja comprovada sua falha nos procedimentos de segurança e higiene.
O hospital Angelina Caron, com 40 anos de história e cerca de 2.000 colaboradores, reafirmou seu compromisso com a segurança dos pacientes e a cooperação com as autoridades.
Em 2025, o hospital realizou mais de 1 milhão de procedimentos e atendeu a mais de 128 mil pacientes, mantendo serviços de média e alta complexidade com uma equipe de 350 médicos em 30 especialidades.
