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Maus-tratos a crianças na fronteira expõem política migratória de Trump

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Departamento de Saúde dos Estados Unidos anunciou que 249 crianças que se encontravam em centro de patrulha fronteiriça

Fronteira do México com os Estados Unidos: imigrantes da América Central entram no México com objetivo de chegar a solo norte-americano (Kim Kyung-Hoon/Reuters)

A visita de uma ONG a um centro da polícia fronteiriça americana no Texas onde estavam mais de 250 crianças voltou a expor o tratamento recebido pelos menores de idade que tentam entrar de forma irregular nos Estados Unidos.

Em meio à polêmica, John Sanders, chefe do Escritório de Alfândega e Proteção Fronteiriça (CBP, na sigla em inglês) e principal funcionário de controle fronteiriço dos Estados Unidos, renunciou ao cargo.

Sanders, no cargo desde abril, anunciou em uma carta divulgada pela imprensa que deixará o posto no dia 5 de julho.

A partida de Sanders ocorre após as revelações das condições de insalubridade em que viviam os menores retidos em um centro da Patrulha Fronteiriça na cidade texana de Clint, um sinal da crescente pressão sobre os recursos públicos diante do aumento das detenções na fronteira sul.

A visita de uma ONG a este centro, situado 30 km a sudeste de El Paso, mostro várias irregularidades, entre elas a superlotação do espaço pelos internos e a falta de higiene e de atendimento médico nas instalações.

Uma investigadora do Human Rights Watch (HRW), Clara Long, contou ter visto um “menino de três anos, com os cabelos emaranhados, tosse seca, calças imundas e olhos que fechavam de cansaço”.

O pequenino, que tinha cruzado a fronteira com um irmão de 11 anos e um tio de 18, estava detido há três semanas. Separado do tio maior de idade, estava aos cuidados do irmão mais velho.

O Departamento de Saúde dos Estados Unidos (HHS) anunciou na segunda-feira que 249 crianças que se encontravam no centro de Clint, perto da cidade fronteiriça de El Paso, no Texas, “deveriam estar sob custódia do HHS nesta terça-feira”, reportou a CNN.

Em um relatório publicado nesta terça, a organização Human Rights Watch (HRW) denunciou a situação deplorável dos menores de idade alojados no local. Tratam-se de crianças migrantes que viajavam sozinhas ou que foram separadas de seus familiares pelas autoridades.

As irregularidades incluem desde crianças sem atenção médica adequada até a falta de camas, que obriga muitos a dormir sobre o piso de cimento, apenas protegidos por cobertores térmicos.

Segundo informe de HRW, as crianças que aguardavam em Clint “não têm acesso a chuveiros nem a roupa limpa”. Alguns dos menores declararam que passaram semanas sem poder tomar banho. Um grupo de menores de idade que a ONG não pôde entrevistar estava de quarentena por gripe, em celas especiais.

Sarah Fabian, advogada do Departamento de Justiça, justificou na semana passada em uma audiência em San Francisco a falta de elementos de higiene como sabão e escova de dentes, alegando que não são requisito para condições de detenção “seguras e saudáveis” segundo as leis que protegem menores de idade não acompanhados.

As declarações de Fabian em defesa do governo geraram um escândalo. A jovem representante democrata Alexandria Ocasio-Cortez, por exemplo, comparou os centros de detenção com “campos de concentração” administrado por um governo “fascista”.

Cidadãos americanos que sobreviveram a cativeiros nas mãos de piratas da Somália ou de talibãs afegãos criticaram o governo, afirmando no Twitter que até seus sequestradores lhes forneceram material de higiene.

O presidente Donald Trump declarou a jornalistas estar muito preocupado com as condições nos centros e exortou o Congresso a aprovar um financiamento de emergência para enviar à fronteira sudoeste.

Poucas horas depois, a Câmara de Representantes, de maioria democrata, aprovou um texto para desbloquear 4,5 bilhões de dólares em ajuda humanitária. “Asseguramos que as crianças tenham comida, roupas, produtos de higiene, um teto e cuidados médicos”, declarou a presidente da Câmara, Nancy Pelosi.

Segundo Trump, pessoas más usam as crianças para se aproveitar das leis de imigração americanas. “É uma forma de escravidão o que estão fazendo com crianças pequenas”, disse.

A lei americana estabelece que menores sem acompanhantes não devem passar mais de 72 horas detidos pela CBP. Passado este prazo, devem ser devolvidos às suas famílias ou colocados aos cuidados de um centro de acolhida do Departamento de Saúde.

Mas a situação que se vive na fronteira superou as previsões. Só em maio, a CBP deteve 144.000 imigrantes irregulares.

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Traficante mexicano El Chapo é condenado à prisão perpétua nos EUA

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O líder do Cartel de Sinaloa, conhecido como El Chapo, foi condenado nesta quarta-feira (17) por traficar mais de 1.250 toneladas de drogas aos EUA

Narcotraficante El Chapo é condenado a prisão perpetua nos Estados Unidos. (LatinContent / Stringer/Getty Images)

O líder do Cartel de Sinaloa, Joaquín “El Chapo” Guzmán, foi condenado nesta quarta-feira, 17, à prisão perpétua pela Justiça Federal dos Estados Unidos. Ele irá cumprir pena em uma penitenciária norte-americana.

O traficante mais famoso do mundo, 62 anos e chefe do cartel mexicano de Sinaloa, foi condenado em fevereiro por crimes que duraram um quarto de século, incluindo o tráfico de centenas de toneladas de cocaína, heroína, metanfetamina e maconha para os Estados Unidos. A justiça americana ordenou que o ex-chefe da máfia devolva US$ 12,6 bilhões dos lucros de seus crimes.

O traficante, que havia sido protegido no México por um exército de gangsteres e uma elaborada operação de corrupção, foi levado aos EUA para ser julgado depois de ter escapado duas vezes das prisões mexicanas.

Depois de três meses em que a Promotoria apresentou uma montanha de provas, em 12 de fevereiro, um júri popular declarou “El Chapo” culpado de traficar ou tentar traficar mais de 1.250 toneladas de drogas aos Estados Unidos, principalmente cocaína.

Antes de finalmente ser capturado, em 2016, Guzmán escapou de presídios de segurança máxima mexicanos duas vezes. Ele foi extraditado aos EUA para enfrentar um julgamento em janeiro de 2017.

El Chapo criou a reputação de ser uma figura à la Robin Hood que fez dele um herói popular para muitos de seu Estado natal de Sinaloa, onde nasceu em um vilarejo montanhoso pobre.

Guzmán se estabeleceu como traficante nos anos 1980 escavando túneis sob a fronteira EUA-México que lhe permitiram contrabandear drogas mais rapidamente do que qualquer um de seus rivais. Ele acumulou poder durante os anos 1990 e 2000 graças a guerras muitas vezes sangrentas com seus adversários, eventualmente se tornando o líder mais conhecido do Cartel de Sinaloa.

Julgamento

Em fevereiro, um júri considerou Guzmán, de 62 anos, culpado de traficar toneladas de cocaína, heroína e maconha e de se envolver em diversas conspirações de assassinato como líder máximo do Cartel de Sinaloa, conhecido há tempos como uma das maiores e mais violentas organizações de tráfico de drogas do México.

Ele está sendo mantido na solitária do Centro Correcional Metropolitano, uma prisão semelhante a uma fortaleza situada no sul de Manhattan. No mês passado, Cogan rejeitou seu pedido de mais tempo para se exercitar no telhado da prisão porque procuradores disseram haver o risco de uma fuga.

Antes de a pena ser anunciada, Guzmán argumentou que seu confinamento equivale a uma “tortura mental” e sustentou que os jurados de seu caso se deixaram influenciar por reportagens – uma alegação repetida por seus advogados.

“Os Estados Unidos não são melhores do que qualquer outro país corrupto”, disse Guzmán, acrescentando que os procuradores queriam enviá-lo a “uma prisão onde nunca mais se ouvirá falar de mim”.

O julgamento do mexicano em Nova York foi um mergulho surrealista dentro de um dos maiores cartéis de drogas, uma janela aberta para a vida até então misteriosa do chefão mexicano, famoso pelos túneis construídos para traficar drogas para os Estados Unidos ou para escapar da prisão.

Dezenas de pessoas, incluídas 56 testemunhas do governo americano, entre eles velhos sócios de “El Chapo”, rivais, uma ex-amante e agentes do FBI, relataram a história do criminoso.

Seu julgamento de 11 semanas, que contou com depoimentos de dezenas de ex-associados que fizeram acordos para cooperar com os procuradores, ofereceram ao público uma visão inédita das engrenagens do cartel.

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Promotores pedem julgamento da Air France por acidente fatal em 2009

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A Procuradoria alega que a companhia aérea “foi negligente e imprudente” por não ter orientado seus pilotos sobre o procedimento em caso de anomalias

Voo AF447: Fuselagem do avião acidentado da Air France, que saiu do Rio de Janeiro com destino a Paris, em 2009, e caiu no oceano Atlântico após congelamento de equipamento seguido de falha humana, matando 228 pessoas que estavam a bordo (Evaristo Sa/AFP)

Paris — Promotores franceses querem que a Air France seja julgada pelo acidente fatal de 2009 envolvendo o voo AF447, entre Rio de Janeiro e Paris, que causou a morte de 228 passageiros e tripulantes de 34 nacionalidades, disse uma fonte judicial da França nesta quarta-feira.

A Procuradoria considera que a companhia aérea “foi negligente e imprudente” por não ter fornecido aos seus pilotos informações suficientes sobre o procedimento a ser adotado em caso de anomalias relacionadas às sondas que permitem controlar a velocidade da aeronave, após vários incidentes do mesmo tipo nos meses que antecederam o desastre, de acordo com sua recomendação datada de 12 de julho.

Investigadores franceses apontaram que os pilotos do AF447 cometeram equívocos ao fazer a leitura na perda de velocidade de sensores que estavam bloqueados pelo gelo devido a uma tempestade, o que provocou uma perda de sustentação.

Por outro lado, estima que não há acusações fortes suficientes contra a fabricante da aeronave para um julgamento. A fonte judicial acrescentou que os promotores não incluíram a Airbus em seu pedido de julgamento pelo acidente.

Cabe agora aos juízes de instrução decidir se vão seguir essas requisições e ordenar um julgamento apenas para a companhia aérea.

Nessa batalha judicial, que está em andamento há mais de dez anos, as duas empresas foram indiciadas em 2011 por “homicídios culposos”.

O acidente

O avião, um Airbus A330, caiu no oceano Atlântico após decolar do Rio na noite do dia 31 de maio, devido a uma perda de sustentação aerodinâmica. Uma formação de gelo em pleno voo nas sondas pitot levou a uma interrupção das medições de velocidade do Airbus A330 e desorientou os pilotos até que o avião parasse.

As duas caixas-pretas do AF447 foram resgatadas após quase dois anos submersas a 3.900 metros de profundidade no local onde a aeronave afundou.

A investigação provocou uma verdadeira batalha entre especialistas para estabelecer as responsabilidades na queda da aeronave. As partes civis pressionam para que a Airbus e a Air France sejam julgadas.

Em 2012, a primeira expertise apontou para erros da tripulação, problemas técnicos e falta de informações dos pilotos no caso de congelamento das sonda, apesar dos incidentes anteriores relatados à Airbus.

A fabricante pediu então uma segunda expertise, que se concentrou principalmente numa “reação inadequada da tripulação” e nas deficiências da Air France.

Considerando este segundo relatório muito favorável à Airbus, parentes das vítimas e a companhia aérea atacaram a contra-expertise perante a Corte de Apelação de Paris, que ordenou sua anulação e a reabertura da investigação.

A última contra-expertise, apresentada em dezembro de 2017, voltou a provocar indignação das partes civis. Os especialistas reafirmaram que a “causa direta” do acidente “resultou de ações inadequadas em pilotagem manual” da tripulação e tendeu a poupar a Airbus.

Com AFP e Reuters*

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Mil menores de idade foram recrutados como soldados no Iêmen em 2018

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Grupos de combatentes pró-Emirados e forças leais ao presidente do Iêmen são responsáveis pelo recrutamento de jovens

Iêmen: o conflito no país provocou a mais grave crise humanitária do mundo (AFP/AFP)

Mais de 1.100 menores de idade foram recrutados no Iêmen, em sua maioria pela milícia xiita huthi, denunciou a ONG iemenita Mwatana for Human Rights em um relatório apresentado nesta terça-feira em Paris.

A organização documentou pelo menos “1.117 casos de crianças recrutados ou utilizados com fins militares em 2018”, sendo 72% por parte do grupo armado Ansar Alah (huthis), incluindo meninas.

Mas todos os grupos de combatentes são responsáveis por estes abusos, contrários ao direito internacional, segundo a ONG, que afirma que 17% dos casos são executados por forças pró-Emirados e 11% por forças leais ao presidente iemenita.

Esta é a primeira vez que a Mwatana, una organização muito respeitada, documenta casos de recrutamento de menores neste conflito, iniciado em 2014 e que desde 2015 provocou a mais grave crise humanitária do mundo, segundo a ONU, e deixou dezenas de milhares de mortos.

As crianças são utilizadas “por todas as partes do conflito para combater, vigiar pontos de controle, aportar uma ajuda logística nas operações militares”.

A Mwatana cita vários casos precisos, incluindo os de 16 jovens, “todos com menos de 17 anos”, treinados para combater em setembro de 2018 pelo grupo Ansar Alá (huthis) na zona de Hwarah (leste).

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