O senador Rogério Marinho (PL-RN) planeja viajar pelo Brasil para garantir votos da base bolsonarista em sua candidatura à presidência do Senado. Ele quer firmar a fidelidade dos senadores de direita e centro-direita que podem estar indecisos e conquistar pelo menos três votos extras para alcançar os 41 necessários para ser eleito.
Marinho pretende convidar o senador Efraim Filho (PL-PB), aliado próximo do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para coordenar sua campanha, mostrando unidade na direita.
O voto no Senado é secreto, o que facilita negociações e votos baseados em relações pessoais, independentemente das alianças partidárias. Marinho defende que os senadores mostrem seus votos publicamente, mas essa ideia ainda não teve apoio.
Enquanto isso, Alcolumbre busca votos dentro do PL e outros partidos da direita oferecendo cargos no governo e funções no Legislativo para aliados. Ele recentemente escolheu o senador Eduardo Gomes (PL-TO) como relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias.
Marinho usará os cargos da presidência do Senado, como chefias de comissões e relatorias, para tentar conquistar votos, embora reconheça que Alcolumbre tem mais instrumentos, contando com o apoio do governo do presidente Lula.
Para evitar deserções na direita, o líder da oposição fará viagens aos estados para se encontrar com senadores, governadores e lideranças locais, também apostando na mobilização dos eleitores pró-impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal para pressionar os senadores a apoiá-lo.
Apesar de poder haver manifestações de rua para ampliar a mobilização, as primeiras viagens devem focar em reuniões oficiais e entrevistas regionais.
Geralmente, as campanhas para presidir o Senado são mais concentradas em contatos pessoais, dado o menor número de senadores (81), ao contrário da Câmara, com 513 deputados.
Marinho pretende valorizar os senadores eleitos em suas bases políticas e articular a pressão dos eleitores bolsonaristas contra Alcolumbre, que é criticado por bloquear o impeachment dos ministros do STF.
Efraim Filho deve liderar a campanha para mostrar unidade na direita, apesar da relação próxima que tinha com Alcolumbre. Efraim recentemente se filiou ao PL e afirma que seguirá alinhado com Marinho.
Marinho também prepara uma carta programática para apresentar sua candidatura, na qual promete não ser oposição ao governo e ao STF, defendendo a independência do Legislativo e criticando eventuais desvios de conduta no Supremo.
Ele deve destacar a história de seu avô, o ex-deputado Djalma Marinho, que apoiou a ditadura militar, mas renunciou a importante cargo por princípios éticos.
Marinho não retornou aos pedidos para comentar sua estratégia até a publicação desta matéria.
