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sábado, 29/11/2025

Marina sofre insultos de deputado da oposição e se sente agredida

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Após enfrentar ataques e deixar uma audiência pública no Senado Federal em maio, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi alvo de novas ofensas na reunião da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados na quarta-feira, 2.

Ela declarou que se sentiu “terrivelmente agredida” e relatou ter pedido “muita calma” em oração a Deus.

O deputado federal Evair Vieira de Melo (PP-ES) voltou a afirmá-la como “adestrada” e comparou sua retórica à das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e dos grupos terroristas palestino Hamas e libanês Hezbollah.

Evair justificou: “Usei a expressão adestramento numa sessão passada, e não foi uma ofensa pessoal, porque repetições que buscam resultado é adestramento. O modo de agir da ministra não é isolado. A estratégia dela é a mesma que a Farc, o Hamas e o Hezbollah usam.”

Marina afirmou que a situação na sessão era “num nível piorado” em relação ao ocorrido no Senado. “Depois do que aconteceu ali (no Senado), as pessoas achariam normal a situação aqui, que está piorada”, disse. “Fui terrivelmente agredida.”

No Senado, em maio, Marina deixou audiência após uma série de discussões com opositores. Na Câmara, desta vez, ela compareceu sob convocação para prestar esclarecimentos sobre o apoio ao Acampamento Terra Livre, o aumento das queimadas e do desmatamento na Amazônia, e sobre o impacto ambiental da COP30 em Belém.

Durante a audiência, a ministra defendeu sua participação no Acampamento Terra Livre em abril, afirmando que saiu no meio da marcha indígena. Também esclareceu que a construção da rodovia para a COP30 é responsabilidade do Estado do Pará, não do governo federal.

Parlamentares da oposição continuaram trocando ofensas. O presidente da comissão, Rodolfo Nogueira (PL-MS), criticou Marina por agir “como se fosse a paladina da sustentabilidade”; parlamentares governistas acusaram os opositores de desrespeito.

Evair Vieira de Melo criticou a gestão ambiental da ministra, pontuando que o Ibama age como uma “indústria da multa” e contestando os dados de desmatamento.

Marina declarou estar “em paz” após orar pedindo calma. “Estou tranquila com a minha consciência. Em defesa do meio ambiente, que Deus julgue entre mim e vossa excelência”, disse a Evair.

Em outubro de 2024, como presidente da Comissão da Agricultura, Evair afirmou que a ministra foi “adestrada” para comparecer à reunião. Marina reagiu: “Quem é adestrado? Tenha santa paciência. Não sou uma pessoa adestrada.”

Na sessão desta terça-feira, Evair recomendou que Marina consultasse seus assessores para interpretar dados dos impactos ambientais.

Marina respondeu: “Entendo o que está por trás dessas falas: preconceito, racismo, machismo, tudo isso”.

Ela acusou os deputados de oposição de machismo. Ao defender servidores do Ibama, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) disse “calma, ministra”, ao que Marina respondeu: “Não é assim que se fala a uma mulher. Quando homens falam alto, dizem ser contundentes. Quando uma mulher fala firme”, começou a explicar, mas foi interrompida.

Marina destacou que sua conduta não é espetáculo, mas defesa de dignidade.

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